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E não parou por aí. Chegou a admitir que chorava: “Com muitas lágrimas escrevi a vocês, não para causar tristeza, mas para que saibam o quanto os amo” (2 Coríntios 2:4, BSB). Percebe como esse homem, visto como autoridade, expressava seu amor de forma sincera?Paulo não tinha o que hoje chamaríamos de masculinidade tóxica. Não precisava aparentar força ou intelectualismo. Ao revelar seus sentimentos, ele mostrou uma vulnerabilidade notável, uma autenticidade que contrasta com o que vemos em muitas entrevistas na mídia, onde as pessoas pedem desculpas ao chorar, como se fosse pecado demonstrar emoções publicamente.
Sigamos o exemplo do apóstolo e assumamos sem medo nossas reações emocionais.
Favoritismo e humanidade do apóstolo
Deus deixa claro que não faz acepção de pessoas (Romanos 2:11). Curiosamente, esse versículo foi escrito por Paulo, que exemplificou o oposto em sua prática ministerial. Você sabia que ele demonstrava um carinho especial por uma igreja em particular? Poderíamos dizer que ele tinha seus favoritos.
Como explicar então o que ele escreveu em sua segunda carta aos coríntios? “Foi pecado abaixar-me para elevá-los, pregando gratuitamente o evangelho de Deus a vocês? Roubei outras igrejas ao receber delas apoio para servi-los. E quando estive com vocês e precisei de algo, não fui pesado para ninguém, pois os irmãos da Macedônia supriram o que me faltava. Tenho me guardado para não ser um fardo para vocês de nenhuma maneira, e continuarei assim” (2 Coríntios 1Ou seja, Paulo não cobrava dos coríntios pela pregação do Evangelho, mas precisava se sustentar de alguma forma. Ele recebia apoio financeiro das igrejas da Macedônia para não ser um peso para os coríntios.
Talvez Paulo tivesse seus favoritos porque, apesar dos milagres e conquistas, ele era humano como nós.
Permitir que Paulo desça do pedestal nos ajuda a encará-lo como inspiração. Curar um homem coxo (Atos 14:8-10), curar por meio de lenços (Atos 19:11-12) e até ressuscitar mortos (Atos 20:9-12) não precisam ser exclusividade de sua santidade, Deus pode usar qualquer pessoa disposta.
Se Paulo, homem de carne e osso, foi usado assim, podemos orar e esperar o mesmo para nossas vidas.
Um conceito moderno da terapia Internal Family Systems (IFS), que entende a alma humana como composta por partes, ajuda a compreender Paulo. Deus criou o ser humano tripartido: espírito, alma e corpo (1 Tessalonicenses 5:23). O verdadeiro “você”, que deseja se conectar com Deus, é o espírito. A alma, assim como o corpo, é formada por váriasIsso pode assustar, mas ter partes na alma não significa que você é estranho ou sofre de transtorno dissociativo de identidade. Ter partes é o que nos torna humanos.
Paulo mesmo demonstrava essa polarização interna: “Não entendo o que faço. Pois não faço o que quero, mas o que odeio” (Romanos 7:15). Em outras palavras, uma parte dele queria evitar carboidratos, outra insistia em pedir pão pita sempre que podia.
Além disso, sua analogia do corpo em 1 Coríntios 12:12-26, embora fale dos membros do corpo humano para ilustrar a Igreja, também pode ser vista como referência às partes da alma.
Se todos nascemos com partes na alma, Paulo não seria diferente. Ele tinha uma parte religiosa, por exemplo (mais sobre isso no capítulo 6 do meu livro).
Paulo foi um homem como nós, com sentimentos e falhas. A diferença é que ele já terminou sua corrida (2 Timóteo 4:7), enquanto a nossa continua. Que possamos viver em obediência ao Pai para ouvir, ao final, “Muito bem, servo bom e fiel” (MateusCrosswalk.comDr. Audrey Davidheiser é psicóloga licenciada na Califórnia, terapeuta certificada em Internal Family Systems (IFS) e consultora clínica aprovada pela IFSI. Fundadora de um centro de aconselhamento para o Los Angeles Dream Center, oferece terapia IFS para sobreviventes de traumas, incluindo traumas religiosos, e atua em treinamentos na área. É colaboradora regular em Crosswalk.com e colunista do iBelieve.com.
(Com informações de Redação – Christianity)



