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Entenda por que a Geração Z perde confiança, não a fé

Os jovens crentes estão dispostos a falar sobre Jesus, mas muitos ainda aprendem o que significa confiar n’Ele quando a vida se complica. A fé pode levá-los à igreja no domingo e a conversas sobre Jesus na segunda-feira. A questão mais difícil é o que acontece na terça-feira, quando uma oração não é respondida, as circunstâncias permanecem iguais ou começam a duvidar se Deus realmente está atento.

 

Parte disso é uma questão de idade, mas também reflete a cultura em que cresceram. Essa geração ouviu repetidamente que a verdade é pessoal: viva sua verdade, encontre o que funciona para você e não diga aos outros o que é verdade para eles. Então, eles encontram Jesus, que afirma ser a verdade para todos. Para quem foi criado desconfiando de verdades absolutas, faz sentido que possam falar com entusiasmo de Jesus em um dia e, no outro, questionar se realmente têm o direito de crer assim.

 

Tenho refletido sobre essa lacuna porque também vivi nela.

 

Aos 17 anos, saí de casa e comecei a viver conforme meus próprios termos. Se você me perguntasse num domingo, eu poderia dizer exatamente no que acreditava. Mesmo tomando decisões que não honravam o Senhor ou Sua Palavra, eu me vestia após uma noite de festa e ia à igreja. Ninguém saberia o que aconteceu na noite anterior, pois eu estava presente, sentada no banco da iEu ainda acreditava no Senhor, mas havia parado de deixar essa crença moldar o restante da minha semana. Depois de anos buscando uma liberdade que só me deixava vazia, aos 22 anos me vi numa cela de prisão. Foi ali que comecei a questionar se a verdade existia fora de mim.

 

E existia. A verdade não era algo que eu pudesse criar ou mudar conforme o que me parecia certo no momento. A verdade estava em Jesus. Por isso, João 14:6 sempre significou muito para mim. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Ele não disse que era uma das verdades possíveis entre muitas. Ele disse que é a verdade.

 

Meu problema não era desconhecer o que os cristãos acreditam. Eu sabia. O problema era não viver como se fosse verdade.

 

Por isso, não vejo um jovem que ama Jesus, fala d’Ele e ainda luta com dúvidas como alguém com fé fraca. As Escrituras nos dão espaço para quem crê e ainda tem perguntas. Em Marcos 9, um pai desesperado pede a Jesus que cure seu filho. Ele declara acreditar, mas logo pede ajuda para sua incredulidade. Fé e dúvida aparecem na mesma frase, e Jesus não o reLutar com perguntas não é sinônimo de abandonar a fé. Mas essas dúvidas precisam ser levadas a algo sólido, e é aí que a Palavra de Deus faz toda a diferença.

 

A resposta não está em mais um programa ou estratégia melhor. Está em conhecer a Palavra de Deus. Não apenas alguns versículos ou o que absorvemos no domingo, mas aprender profundamente, a ponto de a Escritura moldar nosso pensamento e ficar escondida no coração para os momentos em que mais precisamos.

 

Esse crescimento é silencioso, lento e quase invisível. Você abre a Bíblia sem motivo aparente, quando nada em você quer. Continua a orar por algo que não mudou em um ano. Obedece a Deus numa decisão que ninguém jamais saberá que você tomou. E permanece próximo de algumas pessoas que podem perguntar como você está de verdade, sem aceitar respostas fáceis. A confiança em Deus não surge de repente, ela cresce.

 

E é também dessa confiança que nasce a ousadia. Ousadia não é um traço de personalidade reservado para extrovertidos. Em Atos 4, depois que os crentes foram proibidos de falar em nome de Jesus, eles oraram por ousadia, e a Escritura diz que foram cheios do Espírito Santo e continuaram a pregar com coragem. Paulo disse algo semelhante: ele não tinha vergonha do Evangelho, pois ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A confiança deles não estava em si mesmos, mas em Deus.

 

A resposta não é mandar os jovens pararem de falar de Jesus até entenderem tudo. Ninguém falaria de Jesus se isso fosse requisito.

 

Em Filemom 1:6, Paulo ora para que o compartilhamento da fé de Filemom seja eficaz, à medida que ele conhece plenamente todas as bênçãos que temos em Cristo. O compartilhar e o conhecer caminhCada vez que um jovem crente oferece oração por um colega, conta o que Jesus fez em sua vida ou responde a uma pergunta sobre sua fé, ele está praticando algo. Às vezes, percebe o quanto sabe; na maioria das vezes, descobre o que ainda não sabe. Alguém faz uma pergunta que não consegue responder, então ele vai para casa e abre a Bíblia porque quer aprender. Ou ora por um estranho e testemunha Deus agir de forma inesperada.

 

Compartilhar a fé não é algo que fazemos apenas quando estamos espiritualmente maduros. É um dos meios que Deus usa para nos amadurecer. Isso é algo que os números sozinhos não conseguem mostrar.

 

Uma geração disposta a falar de Jesus é algo que merece ser incentivado. As Escrituras dão a eles um fundamento sólido, enquanto pessoas confiáveis podem ajudá-los a fazer perguntas difíceis, crescer na oração, entender por que acreditam e aprender como viver essa fé no dia a dia.

 

Ter fé que aparece só no domingo não é um problema da Geração Z. É uma questão humana. Toda geração já viveu uma distância entre o que diz acreditar e como realmente vive. Eu mesma vivi essa distância por anos, e ninguém sentada ao meu lado na igreja saberia disso.

 

O que me anima é que essa geração já está presente e já está falando. Eles não precisam ser mandados parar até terem tudo resolvido. Precisam da Palavra de Deus escondida no coração, da ousadia para viver essa fé durante a semana e de pessoas que caminhem com eles até que o que eles descrevem seja o que realmente sustentam. (Com informações de Naomi Anderson – Christianpost)




22/08/2026 – Net 3 Gospel

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