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Segundo os pesquisadores, isso evidencia que a educação, embora essencial, não é suficiente para eliminar desigualdades estruturais presentes no mercado de trabalho brasileiro. Diferenças salariais, concentração feminina em ocupações menos valorizadas, interrupções na carreira relacionadas aos cuidados familiares e dificuldades de acesso a cargos de liderança continuam limitando o crescimento econômico das mulheres.
Raça amplia a desigualdade
O Atlas também evidencia o peso da desigualdade racial. Entre os jovens não brancos que nasceram nos 25% mais pobres da população, 51,64% permanecem na mesma condição econômica na vida adulta. Entre os jovens brancos, o percentual é significativamente menor: 36,3Em outras palavras, nascer em uma família pobre ainda reduz significativamente as chances de ascensão econômica, sobretudo para mulheres e pessoas negras. O Atlas demonstra que o país ainda apresenta baixa mobilidade intergeracional, isto é, a posição econômica de uma geração tende a ser reproduzida na seguinte.
Especialistas apontam que políticas públicas voltadas para educação infantil, qualificação profissional, inclusão produtiva, combate à discriminação e ampliação do acesso ao mercado formal de trabalho são fundamentais para reduzir essas diferenças ao longo do tempQuando gênero e raça são analisados simultaneamente, o cenário torna-se ainda mais preocupante. As mulheres não brancas aparecem como o grupo com menor mobilidade social de todo o levantamento, refletindo o efeito combinado das desigualdades históricas de acesso à educação de qualidade, saúde, emprego formal e remuneração.
A pobreza tende a se repetir
Os dados reforçam uma característica conhecida pelos pesquisadores da área: no Brasil, a renda dos pais continua exercendo forte influência sobre a renda dos filhO que os números mostram
65,12% das mulheres nascidas entre os 25% mais pobres continuam nessa faixa de renda na vida adulta. Entre os homens, o percentual é de 32,95%.
Apenas 4,51% dessas mulheres conseguem chegar ao grupo dos 25% mais ricos. Entre os homens, esse índice alcança 11,66%.
51,64% dos jovens não brancos permanecem entre os 25% mais pobres na vida adulta. Entre os jovens brancos, o percentual é de 36,32%.
As mulheres não brancas apresentam a menor mobilidade social entre todos os grupos analisados.
Fonte Comunhão



