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Durante as férias, aprender também acontece no convívio, nas pequenas tarefas e no tempo compartilhado com os adultos -Foto: FreepikPor Patrícia Esteves
Longe da rotina escolar, muitos pais percebem mudanças no comportamento dos filhos durante as férias. Crianças antes cheias de energia e curiosidade passam a demonstrar tédio, insegurança ou sinais de ansiedade. “Você está feliz vivendo as férias, quebrando a correria, mas também sentindo dúvida, insegurança e até culpa porque este tempo o fez parar para pensar em muitas coisas e assuntos”, afirma a pedagoga e professora Malu Perrota.
A ideia de que o aprendizado se interrompe durante as férias é um equívoco comum. Segundo Malu, “a aprendizagem não para ela muda de forma. A educação não acontece só dentro da sala de aula, ela acontece nas relações, no convívio, nas experiências simples do dia a dia”. Observar, errar, esperar, lidar com o tédio e com o silêncio desenvolvem habilidades emocionais e sociais que não aparecem nos boletins, mas são decisivas para a vida.Durante o período letivo, a rotina familiar costuma ser intensa, com horários apertados e compromissos sobrepostos. Nas férias, o tempo compartilhado se amplia e assume um papel educativo importante. “Educa quando a criança precisa esperar a sua vez, dividir a atenção, negociar e resolver pequenos conflitos. Esses aprendizados não aparecem no boletim, mas aparecem na vida”, explica a especialista. O comportamento dos adultos também é referência, desacelerar, lidar com imprevistos e demonstrar paciência ensina de forma prática.
A busca por férias perfeitas pode gerar ansiedade nos pais. “Muitos adultos se sentem incomodados quando a criança não faz nada. Mas o tédio não é inimigo, ele é um convite à criatividade. Quando a gente preenche todas as horas, a criança não aprende a criar, aprende apenas a esperar”, observa Malu. A cobrança por produtividade constante pode provocar cansaço emocional e afetar o bem-estar infantil.
Transformar as férias em extensão da escola não é necessário nem saudável. “Não significa abandonar toda a rotina, mas entender que esse é um tempo diferente. Um tempo em que aprender também pode ser brincar livremente, ouvir histórias, ajudar em pequenas tarefas, conversar sem pressa, simplesmente estar”, afirma. Segundo a professora, o maior aprendizado desse período pode estar justamente na experiência de viver o tempo com mais humanidade, reconhecendo que a educação vai muito além da sala de aula.
Fonte Comunhão.



