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Lula utiliza louvor e valores cristãos para atrair evangélicos. – Foto: Ricardo StuckertPor Cristiano Stefenoni
O Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou sua estratégia para ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico nas eleições de 2026. A nova ofensiva reúne iniciativas que vão desde a produção de conteúdos com linguagem religiosa até a reformulação do discurso da campanha, evitando pautas consideradas sensíveis para esse público. O objetivo é reduzir a vantagem da direita entre os evangélicos, um dos segmentos mais disputados da eleição presidencial.
Um dos movimentos mais recentes ocorreu no domingo (12), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou em suas redes sociais a música “Tapete Vermelho”, interpretada pela cantora gospel Lina Luz. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, a campanha adquiriu os direitos autorais da canção e pretende utilizá-la com frequência em ações voltadas aos evangélicos. A postagem foi feita justamente em um domingo, dia tradicionalmente dedicado aos cultos religiosos, em um gesto interpretado como mais um aceno a esse público.A música apresenta a trajetória política de Lula em tom de louvor, mencionando sua prisão, o retorno à Presidência e sua ligação com o povo brasileiro. A iniciativa faz parte de uma estratégia de comunicação que busca aproximar a imagem do presidente da linguagem e dos símbolos presentes no universo evangélico.
O reposicionamento, porém, vai além da comunicação. De acordo com informações publicadas pela revista Veja, a campanha definiu que evitará ao máximo debates relacionados às chamadas pautas de costumes, tradicionalmente rejeitadas pela maioria dos evangélicos. Temas como legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e linguagem neutra deverão ficar fora do centro da campanha.
Em vez disso, a orientação é concentrar a mensagem em valores considerados comuns ao discurso cristão, como solidariedade, combate à fome, defesa da dignidade humana, proteção das famílias e cuidado com os mais pobres. A intenção é apresentar programas sociais e ações do governo como iniciativas alinhadas aos princípios cristãos, reduzindo resistências históricas ao PT nesse segmento.
A aproximação com os evangélicos vem sendo construída há alguns meses. O partido promoveu o IV Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT, lançou uma carta direcionada ao segmento e passou a ampliar a presença de Lula em conteúdos voltados ao público cristão. Agora, a estratégia ganha uma nova etapa, com investimentos em produtos de comunicação específicos e uma revisão do discurso eleitoral.As mudanças ocorrem em um momento considerado estratégico pela campanha. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas indicaram oscilações no cenário entre os evangélicos. Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, divulgado no início de julho, mostrou que Flávio Bolsonaro perdeu oito pontos percentuais entre os evangélicos desde maio, movimento atribuído ao desgaste provocado pela crise interna envolvendo sua pré-campanha. No mesmo período, Lula passou a enxergar uma oportunidade para diminuir a diferença nesse eleitorado.
Apesar desse recuo, os levantamentos continuam mostrando vantagem da direita entre os evangélicos. Pesquisa Datafolha, divulgada em julho, apontou que 52% dos evangélicos se identificam com a direita, enquanto 30% se dizem de esquerda. Já pesquisa Ipsos-Ipec, realizada em junho, mostrou que 70% dos evangélicos afirmam desconfiar do presidente Lula, evidenciando o desafio enfrentado pelo PT para ampliar sua presença nesse segmento.
A combinação entre uma comunicação inspirada na linguagem gospel, o reforço de mensagens baseadas em valores cristãos e a decisão de evitar temas capazes de gerar atritos demonstra que a campanha petista pretende disputar de forma mais direta um eleitorado que, nas últimas eleições, foi amplamente favorável ao campo conservador. Resta saber se a estratégia será suficiente para reduzir a resistência histórica ao partido e alterar o comportamento eleitoral dos evangélicos em 2026
Fonte Comunhão.



