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Estudo liga amizades na adolescência ao risco de depressão

Estudo revela risco elevado de transtornos mentais em adolescentes. – Foto: Reprodução IAPor Cristiano Stefenoni

As amizades construídas durante a adolescência podem exercer um papel importante no desenvolvimento da saúde mental. É o que indica um estudo publicado na revista científica JAMA Psychiatry, que acompanhou mais de 600 mil jovens da Finlândia e concluiu que adolescentes que convivem com colegas diagnosticados com transtornos mentais apresentam maior probabilidade de receber um diagnóstico semelhante ao longo da vida.

A pesquisa analisou dados nacionais de adolescentes nascidos entre 1985 e 2000, acompanhando sua trajetória por vários anos. Os pesquisadores investigaram se o ambiente escolar e as relações entre colegas poderiam contribuir para o surgimento de transtornos como depressão, ansiedade e distúrbios alimentares, além da influência já conhecida da predisposição genética e do contexto familiar.Os resultados mostraram que jovens inseridos em grupos com maior número de colegas diagnosticados tiveram um risco mais elevado de desenvolver problemas de saúde mental posteriormente. Segundo os autores, a associação permaneceu mesmo após o controle de fatores como renda familiar, características da escola, região de residência e histórico dos pais.

Apesar dos resultados, os pesquisadores fazem um alerta importante: o estudo não demonstra que transtornos mentais sejam “contagiosos”. A pesquisa identifica uma associação estatística, mas não uma relação direta de causa e efeito. Para os cientistas, diversos fatores podem explicar essa conexão, como a influência das relações sociais, experiências compartilhadas, fatores ambientais e até uma maior conscientização sobre saúde mental, que leva mais adolescentes a buscar ajuda profissional.

O trabalho também amplia a compreensão sobre a chamada “transmissão social” dos transtornos mentais. Esse conceito sugere que comportamentos, emoções e formas de lidar com dificuldades podem circular entre grupos de convivência, sem que isso signifique que uma doença seja transmitida de uma pessoa para outra como ocorre com infecções.

Os autores destacam que os resultados reforçam a necessidade de escolas, famílias e profissionais de saúde observarem o ambiente social dos adolescentes. Estratégias de prevenção voltadas apenas ao indivíduo podem não ser suficientes, já que o contexto em que o jovem está inserido também exerce influência sobre seu bem-estar emocional.Especialistas afirmam que a descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas de promoção da saúde mental nas escolas. A criação de ambientes acolhedores, o fortalecimento das redes de apoio e a identificação precoce de sinais de sofrimento psicológico são apontados como medidas capazes de reduzir o impacto dos transtornos mentais entre adolescentes.

O que o estudo mostrou

  • Mais de 600 mil adolescentes foram acompanhados na Finlândia.
  • Jovens nasceram entre 1985 e 2000.
  • O acompanhamento ocorreu durante vários anos, utilizando registros nacionais de saúde.
  • A convivência com colegas diagnosticados com transtornos mentais esteve associada a um risco maior de desenvolver condições semelhantes.
  • A associação permaneceu após ajustes para fatores familiares, escolares e socioeconômicos.
  • Os pesquisadores reforçam que transtornos mentais não são contagiosos.
  • O estudo aponta para a importância das relações sociais e do ambiente escolar na saúde mental dos adolescentes.
  • Fonte Comunhão.



13/07/2026 – Net 3 Gospel

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