MENU



A busca por aceitação pode afastar da identidade cristã. – Foto: Relevant Magazine/Por Kait Warman — relevantmagazine.com — texto adaptadoQuando eu tinha sete anos, era aquela menina que usava vestidos e subia em árvores. Queria ser aventureira e fofa ao mesmo tempo (quem pode me culpar?). No ensino fundamental, comecei a pegar emprestado, às escondidas, lenços, tiaras e bolsas do armário da minha mãe. Lembro que, ao entrar no ônibus escolar, assim que ele virava a esquina de casa, eu pensava: “Agora posso me soltar!” Era o momento de fazer a clássica maquiagem dos anos 90, com muito sombra azul.
Meu kit Caboodles era como meu próprio estojo de tintas: as opções para cabelo e maquiagem eram infinitas. Eu não entendia por que as outras pessoas zombavam de mim por querer ser minha própria Claude Monet. Não percebiam que acordar às 5 da manhã para arrumar meu cabelo de um jeito diferente todo dia, na quinta série, exigia muita criatividade?
Na sexta série, uma boa amiga, Suzy, decidiu se transformar em Regina George, personagem do filme “Meninas Malvadas”. Ela começou a espalhar mentiras sobre mim para minhas amigas mais próximas e, como éramos ingênuas com 11 anos, elas acreditaram. Suzy formou seu próprio grupo de meninas malvadas.Elas deixavam bilhetes zombeteiros no meu armário, escritos com canetas coloridas. Quando me viam vindo, corriam até a parede mais próxima e faziam sons grotescos, como se eu cheirasse mal. Pararam de me convidar para encontros, festas de aniversário e acampamentos — coisas que toda criança dessa idade sonha. Não me deixavam sentar com elas na hora do almoço. Com o tempo, a única amiga que me restou foi Mindy, a outra menina que parecia sozinha na turma.
Na época, eu não entendia direito, mas hoje percebo como me sentia dolorosamente incompreendida. Ser incompreendido destrói nossas necessidades humanas mais profundas: ser visto, ouvido e amado como realmente somos. Eu não via problema nenhum na minha paixão por moda ou em querer ser a queridinha da professora, mas, por não seguir o que era considerado aceitável, ou talvez por inveja, fui rejeitada, julgada, provocada e, no fim, vítima de bullying.
Sentir-se incompreendido pode ser uma experiência isolante e dolorosa. Parece uma praga viral da qual todos querem fugir — algo como a COVID-19. À medida que a pressão para ser aceito aumenta, em vez de abraçar o que nos torna únicos, começamos a odiar essas características. Desejamos que desapareçam, ficando desesperados para simplesmente pertencer.Por mais que eu amasse moda e beleza, a dor e a solidão de ser uma excluída tornavam tudo insuportável. Eu não queria começar a sétima série sendo alvo de bullying. Então, decidi copiar a estratégia de Cady, do filme “Meninas Malvadas”, quando ela tentou entrar no grupo das “Plásticas”: resolvi agir como todos os outros para ser aceita, mesmo que isso significasse não ser eu mesma.Lembro de comprar aqueles tênis Adidas de três listras, prender o cabelo de maneira simples (adeus, penteados criativos!) e usar uma mochila L.L.Bean, tudo para me sentir parte do grupo. Tentei até pedir desculpas para Suzy — embora nem soubesse pelo que — e inundá-la de gentilezas.
Esse é o efeito da dor de se sentir incompreendido. Almejamos qualquer sinal de aceitação e, muitas vezes, sacrificamos quem somos para ser o que os outros querem. Silenciamos nossa voz por medo do julgamento. Mudamos nosso jeito de vestir ou de nos apresentar para nos encaixar. Abandonamos paixões, como a arte, porque dizem que devemos seguir carreiras de sucesso. Até deixamos de comer nossos alimentos favoritos para tentar parecer as mais magras.
O desejo de pertencer e ser entendido se manifesta de formas diferentes, mas a mensagem é clara: ser incompreendido envia ao nosso cérebro um sinal gritante: “Você precisa mudar para ser aceito.” O difícil é que, por mais que nos esforcemos, não podemos forçar ninguém a nos enxergar e aceitar como somos. Não temos controle sobre a maneira como os outros nos recebem.
Mas e se não importasse o que pensam de nós? E se não fosse necessário que as pessoas entendessem as coisas que nos tornam diferentes? E se o verdadeiro poder estivesse em reconhecer e abraçar que somos bem-vindos exatamente como somos?Deus nos criou diferentes, cada um com suas particularidades. É natural que existam traços que nos definem, como ser introvertido ou extrovertido, preferir visitar um museu a ir a um jogo de futebol, ouvir Lecrae ou apenas músicas antigas, ser organizado ou tolerar um pouco de bagunça. Para mim, ser uma garota vaidosa faz parte da minha personalidade, é parte do DNA com que Deus me criou. (E para esclarecer, não acho que toda mulher deva ser assim; é só o meu caso.)
E se existisse uma maneira de realmente nos sentirmos aceitos, mesmo quando nos sentimos incompreendidos e rejeitados? Eu acredito que sim. Por isso, pergunto:
Como encontrar coragem para ser autêntico em ambientes onde as pessoas preferem manter seus preconceitos e não se esforçam para nos conhecer?
Como sentir-se amado mesmo quando não parece que pertencemos?
Onde realmente pertencemos e é possível encontrar esse lugar para nós mesmos?
Como aceitar — e talvez até antecipar — a dura realidade de que às vezes seremos incompreendidos?
Minha busca por pertencimento verdadeiro é uma caminhada de toda a vida, e ainda estou no meio dela. Mas sei que, se não encontrarmos esse caminho, os ambientes onde somos incompreendidos podem destruir nossa alma e comprometer nossa identidade. Não quero isso para você nem para mim. Quero que você conheça seu valor e seu verdadeiro merecimento, independentemente da opinião dos outros.
Tenho certeza de que nosso Pai maravilhoso, amoroso e perfeito (Deus no céu), que nos criou exatamente como somos, deseja o mesmo para nós. Essa é a jornada para descobrir nosso verdadeiro pertencimento. (Com informações de Kait Warman – Relevantmagazine)



