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El Niño ganha força e acende sinal amarelo para a agricultura global no 3º trimestre

Fortalecimento rápido do fenômeno eleva riscos climáticos e ameaça a reposição de umidade no Centro-Oeste do país – Foto: Valter Campanato/Agência BrasilO avanço acelerado do fenômeno El Niño desponta como o principal fator de instabilidade para a produção agrícola global ao longo do terceiro trimestre de 2026. Após uma transição rápida da neutralidade para um evento de intensidade fraca entre março e maio, os principais centros internacionais de meteorologia apontam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico continuará se intensificando.De acordo com dados trazidos pela 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, as anomalias térmicas na região equatorial do Pacífico podem se aproximar de 2,0°C.

O patamar, monitorado de perto pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), configura um evento de forte intensidade, capaz de desorganizar os regimes de chuva e elevar as temperaturas nos principais cinturões agrícolas do planeta.

O aquecimento incomum do Pacífico altera a circulação atmosférica global, modificando a distribuição de umidade e criando gargalos severos em lavouras que já operam com margens estreitas.O terceiro trimestre será marcado pela consolidação do El Niño e por um aumento expressivo do risco climático em diversas regiões produtoras. O fenômeno tende a modificar padrões de chuva e temperatura em escala global, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do mercado”, alerta analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Giraldo.

O gargalo na largada da safra brasileira

Na América do Sul, as atenções se voltam para o comportamento do clima nos meses de agosto e setembro, período crucial para o planejamento do agronegócio brasileiro. A grande preocupação do setor, segundo o levantamento da StoneX, está concentrada na capacidade de recuperação da umidade do solo nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, fundamentais para a abertura dos trabalhos da safra de verão.

O mês de setembro é classificado como o principal ponto crítico para a cultura da soja no país. Se o retorno das chuvas ocorrer de forma tardia ou irregular, combinado com as altas temperaturas previstas, o plantio da oleaginosa enfrentará atrasos significativos e falhas no estabelecimento inicial das plantas, comprometendo o potencial produtivo logo na largada do ciclo.

Ondas de calor ameaçam continentes

O impacto do El Niño não se restringe à falta ou ao excesso de água. Os modelos meteorológicos indicam uma forte tendência de temperaturas acima da média histórica na maior parte das áreas continentais.Esse cenário eleva significativamente o risco de ondas de calor severas em regiões agrícolas estratégicas.

O estresse térmico deve alcançar lavouras na América do Sul, América do Norte, Ásia e Oceania. Entre os países que demandam maior monitoramento estão:

  • Brasil, Paraguai, Bolívia, Argentina e Peru;
  • Estados Unidos;
  • Índia, China e Austrália;
  • Gana e Costa do Marfim (África Ocidental).

O calor extremo acelera o metabolismo das plantas e aumenta a evapotranspiração. Quando o fenômeno coincide com fases críticas do desenvolvimento — como a floração e o enchimento de grãos —, a produtividade final costuma ser severamente afetada.

O mapa de riscos por cultura agrícola

A dinâmica do trimestre promete desenhar cenários distintos para as principais commodities globais, dependendo da fase de desenvolvimento de cada plantação.

Café e Açúcar

No Brasil, a colheita do café entra na reta final entre julho e agosto sob o risco de chuvas acima da média, o que pode prejudicar a secagem e derrubar a qualidade dos grãos. Já em setembro, o foco muda para as floradas, que necessitam de um equilíbrio preciso entre umidade e temperatura.

Para o açúcar, as chuvas excessivas ameaçam paralisar os trabalhos de corte no Centro-Sul brasileiro, enquanto concorrentes asiáticos, como Índia e Tailândia, dependem da regularidade das monções para o crescimento dos canaviais.

Grãos e Fibras

O mercado de algodão monitora a instabilidade climática na Índia e o calor extremo nas áreas produtoras da China e dos Estados Unidos. No caso do trigo, o cenário divide os hemisférios: produtores do Sul do Brasil enfrentam o risco de perda de qualidade e proliferação de doenças fúngicas devido ao excesso de umidade, enquanto a Austrália lida com a perspectiva de seca severa provocada pelo padrão do El Niño.

Cacau

Considerada uma das commodities mais voláteis do período, o cacau enfrenta desafios na África Ocidental e na Indonésia, onde a irregularidade das chuvas eleva o risco de estresse hídrico.

Na América do Sul, os produtores do sul da Bahia acompanham os desdobramentos locais, enquanto o Equador vive uma realidade oposta, com previsão de mais umidade — o que favorece o crescimento vegetativo, mas acende o alerta para a pressão de doenças na lavoura.

De forma geral, a StoneX reforça que os impactos reais dependerão diretamente da interação entre a temperatura e o estágio de desenvolvimento de cada planta. O mapa de alertas serve como bússola para que o mercado recalcule os riscos operacionais e de abastecimento em um ano de forte transição climática.Com informações da StoneX




13/07/2026 – Net 3 Gospel

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