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Agradecer a Deus e reconhecer Seu amor gera transformação interior e fortalece os laços familiares – Foto: FreepikPor Patrícia Esteves
A gratidão a Deus pode parecer um detalhe esquecido em um mundo marcado pela pressa, pela comparação constante e pelas preocupações materiais. No entanto, para o pastor Francisco Parisi da Igreja Batista Adonai, em Fortaleza/CE, trata-se de uma prática essencial que redefine o modo como enxergamos a vida e como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor. “Você agradece a Deus hoje? Por quê? Eu vou sempre insistir nesse ponto: agradecer a Deus faz toda a diferença em nossa vida”, afirma.
Segundo Parisi, a correria da rotina frequentemente rouba nossa sensibilidade para perceber os presentes que recebemos do Criador. “Quantas vezes estamos atribulados, preocupados com bens materiais, afazeres e pessoas? Isso nos impede de perceber o que Deus nos tem dado”, alerta.Entretanto, ele lembra que até mesmo gestos simples, como contemplar o céu, podem se tornar um convite para reconhecer o amor divino. “Olhe para o céu. Veja as nuvens. Pense no amor de Deus”, instiga.
A psicologia positiva tem reforçado esse mesmo princípio. Um estudo da University of California, Davis (Emmons & McCullough, 2003) mostrou que pessoas que registram motivos de gratidão regularmente apresentam maior bem-estar, menos sintomas depressivos e níveis mais altos de otimismo.
No Brasil, a Revista Brasileira de Psicologia da Saúde publicou em 2020 uma revisão sistemática indicando que práticas de gratidão reduzem sintomas de ansiedade e fortalecem os vínculos sociais.
Para Parisi, a espiritualidade cristã amplia esse entendimento, pois a gratidão não é apenas um exercício mental, mas um reconhecimento direto do amor de Deus.
O pastor enfatiza que a gratidão nasce da compreensão desse amor maior, revelado na cruz. “A gratidão e o amor fazem diferença em nossa vida, principalmente quando percebemos o amor que recebemos de Deus, um amor tão grande que Ele enviou seu Filho unigênito para morrer na cruz, para nos perdoar os pecados, nos purificar de toda a iniquidade e nos dar uma nova vida”, destaca.
Essa consciência redefine a identidade do cristão, que de criatura distante, torna-se filho amado de Deus. Um levantamento realizado pelo Pew Research Center em 2021 sobre fé e bem-estar apontou que pessoas que cultivam uma visão de Deus como Pai amoroso relatam maior satisfação com a vida e índices mais altos de estabilidade emocional.
Outro ponto central da reflexão de Parisi é a revelação de Deus como Pai próximo. “Os religiosos contemporâneos de Jesus conheciam a Deus apenas como Senhor, um Deus distante, que precisava ser reverenciado e que, de certa forma, imprimia medo em seus corações. Jesus chega apresentando um Deus que é Pai e nos ensina a nos achegar a Ele como Pai”, explica.Essa mudança de paradigma, evidente na oração do Pai Nosso, sustenta relações mais saudáveis. A experiência de ver Deus como Pai amoroso gera intimidade, confiança e segurança emocional, ingredientes indispensáveis para a construção de lares equilibrados, baseados em amor, diálogo e perdão.
Reconhecer o cuidado de Deus, para Parisi, implica transformação interior. “Quando Deus perdoa nossos pecados, Ele os lança nas profundezas do mar, para que ninguém mais os traga à tona. Ele nos purifica de toda a iniquidade, para que possamos viver um novo tempo. Mas, para que isso aconteça, é preciso que ocorra uma transformação em nossa mente, uma ‘metanóia’, uma mudança de pensamento que nos leve a ver a vida de outra forma”, afirma.
Esse processo é descrito por estudiosos como uma renovação de mentalidade que vai além da religião, pois trata-se de uma mudança prática que influencia decisões, atitudes e relacionamentos, trazendo serenidade e clareza mesmo em tempos de incerteza.
A espiritualidade da gratidão também deixa marcas no ambiente familiar. Uma revisão sistemática publicada na Revista Brasileira de Psicologia da Saúde (2020) apontou que práticas de gratidão estão associadas à redução de sintomas de ansiedade e ao fortalecimento dos vínculos sociais, confirmando o impacto positivo dessa atitude na saúde mental.
Revelou que lares que cultivam práticas devocionais de gratidão relatam menos conflitos, maior coesão e níveis mais altos de esperança. Essa prática cria uma atmosfera de cuidado mútuo, capaz de sustentar os relacionamentos em meio às pressões da vida moderna.
Parisi reforça que agradecer não significa ignorar os problemas, mas enfrentá-los com outra perspectiva. “A prática diária da gratidão não elimina as dificuldades, mas nos ensina a encará-las com serenidade, confiança e fé”, reflete.
Gratidão e amor não são apenas sentimentos passageiros, mas escolhas consistentes que moldam a vida cristã. Para o pastor Francisco Parisi, reconhecer o amor de Deus, aproximar-se d’Ele como Pai e cultivar uma “metanóia” diária permitem que o cristão atravesse desafios com esperança, fortaleça os vínculos familiares e experimente uma transformação interior que se reflete em cada gesto do cotidiano.
Fonte Comunhão



