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Waléria Santos compartilha sua história de superação após a perda do marido. – Foto: DivulgaçãoPor Cristiano Stefenoni
Há histórias que nascem em meio às maiores dores e acabam se tornando instrumentos de esperança para milhares de pessoas. A da escritora e palestrante brasileira Waléria Santos é uma delas. Natural de Maceió (AL) e criada em Teotônio Vilela, no interior do estado, ela construiu uma trajetória marcada pela perseverança, pela fé e pela coragem de enfrentar desafios.
Depois de viver no Brasil e na Espanha, estabeleceu-se na Noruega, onde acreditava estar realizando o sonho de formar uma família e construir uma nova vida. No entanto, em outubro de 2020, sua realidade mudou completamente quando perdeu o marido por suicídio, uma experiência que redefiniu sua caminhada e seu propósito.A tragédia aconteceu após um período de intenso sofrimento psicológico vivido por seu esposo e mergulhou toda a família em um processo de luto profundo, após o seu suicídio. Em vez de permitir que o silêncio consumisse sua história, Waléria decidiu enfrentar a dor com a ajuda da fé cristã. Ela relata que encontrou em Deus a força necessária para continuar vivendo, mesmo quando tudo parecia perdido. O recomeço não significou ausência de sofrimento, mas uma decisão diária de seguir em frente, sustentada pela esperança e pela certeza de que sua experiência poderia servir de apoio para outras pessoas que enfrentam perdas semelhantes.
Foi durante esse processo de reconstrução que nasceu o livro “Quatro de outubro: O dia que o meu marido decidiu morrer”. A obra autobiográfica reúne memórias, reflexões e relatos reais sobre amor, imigração, saúde mental, culpa, luto e esperança. Mais do que contar sua própria história, a autora buscou criar um espaço de acolhimento para aqueles que permanecem após uma perda tão devastadora. O período de escrita também se tornou parte de sua própria cura, permitindo revisitar lembranças difíceis e transformar sofrimento em aprendizado.
A publicação rapidamente ultrapassou fronteiras. Lançado em português e também em norueguês, o livro passou a alcançar leitores em diferentes países e consolidou Waléria como uma voz relevante nas discussões sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e reconstrução emocional. Segundo ela, o objetivo nunca foi explicar a dor, mas impedir que outras pessoas precisem atravessá-la em completo isolamento, oferecendo acolhimento e incentivo para buscar ajuda.
Hoje, sua atuação vai muito além da literatura. Radicada na Noruega, Waléria realiza palestras em universidades, escolas, empresas, congressos e eventos culturais, além de conceder entrevistas e participar de projetos voltados à conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Sua missão é ampliar o diálogo sobre um tema que ainda carrega estigmas e preconceitos, lembrando que o impacto do suicídio não termina na vida de quem parte, mas alcança profundamente familiares e amigos que permanecem.Entre os temas abordados em suas palestras estão o recomeço após perdas traumáticas, a importância do acolhimento emocional, a realidade vivida por familiares enlutados e a necessidade de falar sobre saúde mental sem medo ou vergonha. Seu trabalho também contempla a experiência da imigração, mostrando como mudanças culturais, isolamento e adaptação podem impactar o bem-estar emocional quando não há redes de apoio adequadas.
Para Waléria, a fé permanece no centro de toda essa jornada. Ela afirma que foi justamente a confiança em Deus que lhe permitiu encontrar forças para continuar quando as respostas pareciam inexistentes. Essa convicção também molda seus valores, baseados em coragem, verdade, empatia, esperança e impacto social. Sua visão é construir uma plataforma internacional capaz de promover conscientização por meio de livros, palestras e projetos que incentivem conversas abertas sobre saúde mental e ofereçam apoio às famílias que enfrentam situações semelhantes.
Da pequena cidade de Teotônio Vilela para a Europa, Waléria Santos transformou uma tragédia pessoal em uma missão de serviço ao próximo. Sua história demonstra que a dor não precisa ser o ponto final de uma vida. Com fé, coragem e disposição para compartilhar suas próprias cicatrizes, ela tem ajudado milhares de pessoas a compreender que existe esperança mesmo nos momentos mais difíceis e que buscar apoio é um passo fundamental no caminho da reconstrução.
Fonte Comunhão.



