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Por Patricia Scott
A implantação do futuro Parque Monte de Oração, na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo (SP), passou a ser alvo de discussão após críticas sobre um possível tratamento privilegiado à comunidade evangélica por parte da administração municipal. O projeto prevê a revitalização de uma área de aproximadamente 36 mil metros quadrados, conhecida há décadas por receber encontros e celebrações religiosas, com investimento estimado em R$ 10,7 milhões.
Os recursos destinados à obra são provenientes de compensações ambientais e do orçamento da Prefeitura de São Paulo. A proposta inclui melhorias na infraestrutura, instalação de equipamentos de segurança, cercamento, iluminação e novos espaços de convivênA controvérsia ganhou força após a assinatura da ordem de serviço pelo prefeito Ricardo Nunes, em março, durante um encontro que reuniu exclusivamente pastores da região. Representantes de outras tradições religiosas afirmaram que não foram convidados a participar das discussões sobre o projeto.
Entre eles está Pai Jair de Odé, dirigente da ONG Ilê Axé Omo Odé e sacerdote de religião de matriz africana, que criticou a ausência de diálogo com outros segmentos religiosos. Segundo ele, caso o parque receba investimentos públicos para oferecer estrutura, segurança e equipamentos permanentes, o espaço deve ser reconhecido e administrado como um patrimônio destinado a toda a população, sem identificação exclusiva com qualquer grupo religiosA Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente rebateu as críticas e afirmou que o parque será aberto ao público, independentemente de crença religiosa. De acordo com a pasta, o contato inicial com lideranças evangélicas ocorreu porque a área é utilizada por esse grupo há mais de cinco décadas para reuniões e momentos de oração. A administração municipal também declarou que o projeto não prevê exclusividade de uso e que qualquer cidadão poderá frequentar o local.
Representação no Ministério Público
Mesmo com esse posicionamento, a Associação Movimento Brasil Laico apresentou uma representação ao Ministério Público. O intuito é que haja apuração sobre a legalidade da iniciatiNa avaliação da entidade, a destinação de recursos públicos para um espaço identificado historicamente com um segmento religioso pode afrontar os princípios constitucionais da laicidade do Estado e da igualdade de tratamento entre diferentes crenças. Para a associação, cabe ao poder público garantir que investimentos dessa natureza beneficiem a coletividade sem favorecer uma religião específica.
Debate sobre diversidade religiosa
O projeto também reacendeu discussões sobre representatividade religiosa na Cidade Tiradentes, bairro com forte presença da população negra e de comunidades ligadas às religiões de matriz africana. Lideranças locais defendem que políticas públicas voltadas a espaços de convivência considerem igualmente as diferentes manifestações de fé presentes na região. Algumas delas também demonstraram preocupação com a possibilidade de episódios de intolerância religiosa caso o parque seja associado predominantemente ao público evangélico.
Por outro lado, representantes de igrejas evangélicas afirmam que o espaço deve permanecer aberto a todos. O pastor Alexandre Deanini, da Igreja Batista Betel, declarou que pessoas de qualquer religião devem ter o mesmo direito de utilizar o parque, defendendo que o local seja compartilhado de forma respeitosa por toda a comunidade.
Fonte Comunhão



