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Plataforma oferece 11 mil atendimentos psicológicos gratuitos mensais. – Foto: Geniffer ValerianoPor Cristiano Stefenoni
Adolescentes e jovens brasileiros de 13 a 24 anos passaram a contar com um reforço importante no cuidado com a saúde mental. A plataforma Pode Falar, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), oferece atendimento psicológico gratuito, online e com a opção de anonimato, ampliando o acesso ao acolhimento emocional em todo o país. A iniciativa ganhou destaque após a expansão da capacidade de atendimento, que agora pode alcançar cerca de 11 mil atendimentos por mês, o equivalente a aproximadamente 15 acolhimentos por hora.
O serviço foi incorporado às ações do Governo Federal para fortalecer a assistência em saúde mental voltada ao público jovem. Além de ampliar a capacidade de atendimento em 1.000%, a parceria prevê investimentos superiores a R$ 15 milhões ao longo de dois anos, fortalecendo a integração da plataforma com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS).O primeiro contato com a plataforma acontece por meio de um chatbot, que apresenta conteúdos educativos sobre saúde mental em linguagem simples e acessível. Quando identifica sinais de sofrimento emocional que exigem maior acompanhamento, o sistema encaminha o usuário para um atendimento humano realizado por estudantes de graduação e pós-graduação das áreas de Psicologia, Medicina e Educação, sempre supervisionados por professores e profissionais especializados.
O atendimento está disponível gratuitamente pelo site da plataforma para adolescentes e jovens entre 13 e 24 anos, de segunda a sábado, das 8h às 22h (horário de Brasília). Segundo o Ministério da Saúde, o serviço não substitui o tratamento realizado pelo SUS, mas funciona como uma porta de entrada para acolhimento e orientação, podendo encaminhar os usuários para os serviços presenciais da rede pública quando necessário.
A ampliação do Pode Falar ocorre em um momento de preocupação crescente com o bem-estar emocional de adolescentes e jovens. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, mostram que 28,9% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmaram sentir tristeza na maior parte do tempo. Além disso, 18,5% disseram pensar frequentemente que “a vida não vale a pena ser vivida”, enquanto 32% relataram já ter sentido vontade de se machucar. Os indicadores são ainda mais elevados entre as meninas.
O cenário acompanha uma tendência mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental, e o suicídio permanece entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Especialistas defendem que ampliar canais de escuta qualificada e facilitar o acesso ao atendimento psicológico são medidas fundamentais para reduzir os impactos do sofrimento psíquico nessa faixa etária.
Criado em 2021 pelo UNICEF e pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Pode Falar já realizou mais de 44 mil atendimentos em cinco anos de funcionamento. Com a entrada do Ministério da Saúde como parceiro, a expectativa é ampliar significativamente o alcance da iniciativa e facilitar o encaminhamento dos usuários para os serviços públicos de saúde mental quando houver necessidade de acompanhamento presencial.
Para acessar o serviço, basta entrar na plataforma Pode Falar, onde o atendimento é gratuito, confidencial e voltado exclusivamente para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O objetivo é oferecer uma escuta acolhedora, combater o estigma em torno da saúde mental e garantir que mais jovens encontrem apoio antes que o sofrimento emocional se agrave.
Fonte Comunhão.



