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Dados revelam que a maioria das vítimas de suicídio é ser formada por homens, que somam 78% dos casos. Foto: FreepikPor Patrícia Esteves
Falar sobre suicídio nunca é simples, mas o silêncio em torno do tema tem custado vidas. Só em 2024, o Brasil registrou 16.218 mortes dessa natureza, o que equivale a 44 pessoas por dia, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Embora o número represente uma pequena queda em relação ao ano anterior, a realidade segue alarmante e pede atenção.
Chama atenção o fato de a maioria das vítimas ser formada por homens, que somam 78% dos casos. Esses dados ajudam a dimensionar a gravidade de uma questão que atravessa famílias, escolas, ambientes de trabalho e também igrejas. E, quando se trata do meio cristão, a forma como o assunto é abordado pode determinar se alguém encontrará acolhimento ou se continuará sofrendo em silêncio.Muitas vezes, dentro das igrejas, a ideação suicida é associada de imediato à ação espiritual. Para Francisco Regio, diácono no Ministério Mudança de Vida, em São José do Rio Preto/SP, esse é um ponto que precisa ser revisto com urgência. Ele é psicólogo e especialista em combate ao suicídio.
“Muitas vezes o caso é abafado, dado pura e simplesmente como uma questão de possessão demoníaca. E eu acredito que isso atrapalha muito o trabalho da prevenção, porque uma pessoa que está em sofrimento existencial, que está com pensamento e com ideação suicida, ela não quer saber se é o diabo, ela não quer saber se é o governo. Ela quer saber de curar a dor dela, ela quer saber de resolver a dor dela”, explica.
Ao reduzir uma dor tão complexa a uma explicação única, perde-se a chance de enxergar os vários fatores que se somam até o limite da desesperança. Como lembra Regio, “a ideia suicida envolve múltiplas características e múltiplos problemas que compõem todo esse processo. Ele não é um único fator, ele é multifatorial”.
Quando alguém em crise recebe apenas frases como “a vida é bela”, “valorize a vida” ou “tenha Deus no coração”, a mensagem não encontra espaço para germinar. A pessoa em sofrimento dificilmente consegue se conectar com esse tipo de consolo. “Isso não é valor para ela no momento”, afirma Regio. “Se não houver um acolhimento especializado, se não houver uma escuta qualificada, profissional, raramente ela vai sair dessa situação”, destaca.Na igreja em que Regio atua, há profissionais de saúde mental participando das atividades. Mesmo assim, ele observa uma lacuna no encaminhamento. “Parece que é tudo direcionado à vida espiritual”, relata. Para ele, é fundamental que pastores, bispos e líderes deixem claro que a fé não exclui a necessidade de apoio técnico.
“Claro que a resposta está em Deus, mas tem muita coisa que é transtorno mental. E, se nós buscarmos na ciência e mesmo na teologia, vamos encontrar inúmeros líderes espirituais dizendo claramente: parte deste problema é espiritual, mas parte deste problema é transtorno”, diz.
Fonte Comunhão.



