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Reflexão sobre a dor cristã e a esperança em Cristo. – Foto: Christian Post/Por Mark Creech — www.christianpost.com — texto adaptadoNos últimos cinco anos, vivi uma fase em que muitas das estruturas que davam forma e estabilidade à minha vida pareceram desmoronar quase ao mesmo tempo. Uma batalha quase fatal contra a COVID deixou sequelas físicas que ainda carrego. Logo depois, veio o doloroso encerramento de um ministério ao qual dediquei décadas da minha vida. Paralelamente a essas perdas públicas, vieram tristezas profundamente pessoais que não me sinto à vontade para detalhar — dores que tocaram os recantos mais íntimos do meu coração.
Existem dores que um homem pode explicar abertamente. Outras são carregadas em silêncio, não por serem menos reais, mas porque amor, sabedoria e dignidade exigem silêncio.
Posso apenas dizer que houve momentos durante essa temporada em que o peso de tudo parecia quase insuportável. Não digo isso para reclamar, mas apenas para reconhecer que posso, em certa medida, me identificar com aqueles que já conheceram as mais profundas tristezas da vida.
Em momentos difíceis, os cristãos frequentemente recebem palavras de encorajamento. Amigos nos lembram que Deus tem um plano. Asseguram que o sofrimento nunca é em vão. Dizem que dias melhores virão. Concordo com grande parte disso.
No entanto, há outro tipo de encorajamento que tem se tornado cada vez mais comum nos círculos cristãos. Somos informados de que nosso sofrimento é sinal de que Deus nos prepara para uma elevação. Nosso revés seria apenas o prelúdio para a volta por cima. A promoção está próxima. A restauração é inevitável. Se permanecermos fiéis, a vindicação terrena certamente virá.
Entendo por que essas palavras são atraentes. Em alguns casos, podem até se provar verdadeiras. Contudo, ultimamente venho me perguntando algo que acredito que todo cristão deveria considerar: Deus realmente prometeu que, após uma perda profunda, as coisas nesta vida sempre vão melhorar?
Certamente, as Escrituras ensinam que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam. Ensinam que o sofrimento nunca é sem sentido. Ensinam que nossas provações estão sob a mão soberana de um Deus perfeitamente bom e benevolente.Mas onde a Bíblia promete que todo crente fiel experimentará, necessariamente, alguma forma de restauração terrena?
Jó, por exemplo, viu uma restauração notável após perdas inimagináveis. José saiu da prisão para o poder. Davi fugiu de cavernas antes de subir ao trono.
Porém, João Batista, que Jesus descreveu como o maior entre os nascidos de mulher, foi preso e decapitado. Não houve restauração terrena, segundo ato ou retorno triunfante.
Estevão proclamou fielmente Cristo e foi apedrejado até a morte.O apóstolo Paulo enfrentou prisões, açoites, naufrágios, traições, fraquezas e aflições. Sua história terrena terminou com execução.
O capítulo 11 de Hebreus começa com histórias extraordinárias de livramento. Reinos são submetidos. As bocas dos leões são fechadas. Exércitos são derrotados. Milagres acontecem.
Mas então a narrativa toma um rumo dramático: “Outros receberam o testemunho de que seriam mortos, não aceitando o livramento” (Hebreus 11:35).
Alguns escaparam da espada; outros morreram por ela. Ambos agradaram a Deus.
Essa verdade não é frequentemente enfatizada hoje, mas está entrelaçada em toda a Escritura. Deus jamais prometeu que a história terrena de todo crente terminará em triunfo visível.
Ele não disse: “Neste mundo tereis tribulação, mas eventualmente tudo dará certo, exatamente como você esperava.”
Ele disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16:33).
A promessa não foi a ausência de sofrimento, mas a presença de Cristo e a vitória definitiva no meio dele.
Uma razão pela qual muitos cristãos se desanimam é que silenciosamente abraçam promessas que Deus nunca fez. Quando a restauração terrena não chega, se perguntam se Deus os abandonou. Questionam se a Bíblia é verdadeira.
Porém, talvez o problema não seja a fidelidade de Deus, nem a confiabilidade das Escrituras. Talvez o problema seja nossa expectativa.
E se o maior propósito de Deus não for melhorar nossas circunstâncias? E se o objetivo mais elevado for algo mais profundo — algo maior?
Romanos 8:28 é um dos versículos mais queridos da Escritura: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam.”Mas muitos param de ler cedo demais. O versículo seguinte explica qual é esse “bem” último: “Para aqueles que, segundo o seu propósito, são chamados para serem conformes à imagem de seu Filho” (Romanos 8:29).
O propósito supremo de Deus não é necessariamente tornar nossas vidas mais fáceis, felizes, ricas, saudáveis, bem-sucedidas ou respeitadas.
Seu maior propósito é nos tornar mais semelhantes a Cristo.
Essa compreensão não elimina a dor. Não apaga o sofrimento. Nem responde todas as perguntas. Além disso, devemos admitir que nossos afetos são muitas vezes mais terrenos do que percebemos. Podemos desejar mais alívio, restauração e vindicação do que o trabalho profundo de sermos moldados à imagem de Cristo.
No entanto, isso oferece uma base mais sólida para a fé do que a esperança frágil de que toda perda terrena será restaurada antes de morrermos.
A esperança cristã não é que toda história dolorosa termine feliz neste mundo.
A esperança cristã é que nada entregue a Cristo será desperdiçado.
Às vezes, Deus concede restaurações notáveis nesta vida. Às vezes, não concede.Mas uma coisa é absolutamente certa: para aqueles que pertencem a Cristo, o capítulo final já foi escrito, e é muito mais glorioso do que qualquer restauração terrena poderia ser. (Com informações de Mark Creech – Christianpost)



