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Porque não devemos julgar o próximo?

Por Clovis Rosa Nery

A partir de uma interseção entre a psicologia, a sociologia e preceitos teológicos, este texto propõe uma reflexão sobre o ato de julgar o próximo como uma prerrogativa exclusivamente Divina.

A mente humana tem a capacidade de, inconscientemente, forjar cenários fictícios como se fossem reais. Essa dinâmica dialoga diretamente com o conceito freudiano de projeção, que examinaremos adiante. 
É certo que o que os outros pensam de nós tem relevância. No entanto, ocultar credenciais morais dúbias é um comportamento licencioso, caracterizando uma clara gestão temerária de impressões, que se agrava quando atribuída ao próximo.Nesse contexto, mediante análise sob o “olhar psicanalítico”, somos confrontados com o mecanismo de defesa do ego, denominado projeção que, inconscientemente, nos leva a atribuir ao próximo aquilo que reprovamos em nós.

Numa perspectiva sociológica, pensemos no caso da justiça, cuja gênese está na comunicação interpessoal. Se o fluxo dialógico se corromper, emergirão conflitos, porque os tribunais chancelam, de certa forma, as relações sociais à luz da legislação vigente. Não há dúvida de que o mundo está confuso, e viver tem sido desafiador. Contudo, não precisamos condescender com o desalento. Basta nos prepararmos, com resiliência sem conivência, e o êxito será possível. É difícil aceitar isso com naturalidade. Contudo, os que não reconhecem sua real situação enfrentam um quadro mais grave: uma barreira na comunicação com Deus e entraves nas relações humanas. Nisto consiste o alto risco de enveredarmos pelas trilhas de julgamentos generalizados de nosso próximo. Ao fazê-lo, baseamo-nos em conceitos controversos e, por limitação existencial, mensuramos apenas o exterior.

Ao homem não é atribuído o direito de julgar (Mateus 7: 1 a 5), tendo em vista a nossa condição que nos leva a formar opiniões parciais, com tendência a ver o “cisco” no olho alheio, e não ver a “trave” no nosso. Acresce-se que somente teríamos condições de avaliar fatores observáveis, mas na nossa constituição organísmica há também os fatores inobserváveis, como traços genéticos, cognitivos e emocionais, singularmente entrelaçados.

Portanto, julgar é uma prerrogativa exclusiva de Deus. Não devemos fazê-lo, inclusive porque nessas ocasiões, somos inclinados a silenciar a misericórdia e “carimbar” controversas com animosidades, constituindo desse modo um ato cruel de desobediência premeditada.

Clovis Rosa Nery é graduado em psicologia, pesquisador e escritor

Fonte Comunhão




01/07/2026 – Net 3 Gospel

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