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PT divulga carta aos católicos em apoio a Lula.
Por Cristiano Stefenoni
Menos de um mês depois de divulgar uma carta direcionada aos evangélicos, em 8 de junho, o Partido dos Trabalhadores (PT) voltou a recorrer ao eleitorado cristão. Desta vez, o alvo são os católicos. Em documento divulgado nesta quarta-feira (1º), durante o 1º Encontro Nacional de Católicas e Católicos do PT, realizado em Brasília, a legenda apresentou uma carta aberta em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fez críticas ao uso político das igrejas.
A iniciativa ocorre em meio à crescente disputa pelo voto religioso nas eleições de 2026. Pesquisas recentes mostram que Lula mantém vantagem entre os católicos, enquanto adversários ligados ao campo conservador seguem mais fortes entre os evangélicos, tornando a religião um dos principais campos de batalha da campanha eleitoral.
– Foto: Divulgação
Ao longo do documento, os católicos petistas associam programas do governo Lula a princípios presentes na doutrina social da Igreja. São citadas iniciativas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Brasil Sorridente, Pé-de-Meia e ações de combate à fome.
A carta também manifesta apoio a pautas defendidas historicamente pela esquerda, entre elas a valorização do salário mínimo, a ampliação de direitos trabalhistas, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a agricultura familiar, a proteção ambiental e políticas voltadas para mulheres e jovens. O encontro contou com a participação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e da primeira-dama Janja da Silva.
A divulgação de duas cartas direcionadas a segmentos religiosos em menos de um mês evidencia uma preocupação crescente do PT com o eleitorado cristão.
Nas últimas eleições presidenciais, os evangélicos consolidaram-se como um dos grupos mais estratégicos da política brasileira. O segmento representa cerca de um terço da população e tem demonstrado forte capacidade de mobilização eleitoral.
Ao mesmo tempo, os católicos continuam sendo o maior grupo religioso do país, embora em trajetória de redução demográfica nas últimas décadas.
Pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram que essa divisão religiosa continua influenciando diretamente o cenário eleitoral de 2026. Levantamentos nacionais indicam que Lula mantém vantagem entre os católicos, enquanto candidatos identificados com o bolsonarismo registram desempenho superior entre os evangélicos.
Um dos exemplos é a pesquisa BTG/FSB divulgada recentemente, que apontou Lula com 53% das intenções de voto entre católicos, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Entre os evangélicos, porém, o cenário se inverte: o senador aparece com 60%, enquanto o presidente registra 32%.
Já a mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou sinais de desgaste de Flávio Bolsonaro justamente entre mulheres e evangélicos após sucessivas crises envolvendo disputas internas do campo conservador e atritos públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Nos bastidores, dirigentes petistas reconhecem que a relação do partido com setores religiosos ainda enfrenta resistência, especialmente entre evangélicos. Por isso, a estratégia tem sido ampliar o diálogo com diferentes grupos cristãos, enfatizando pautas sociais e evitando temas considerados mais sensíveis do ponto de vista moral.
A sequência das duas cartas sugere que o PT pretende disputar de forma mais intensa um eleitorado que, nos últimos anos, tornou-se decisivo para a definição das eleições nacionais.
Se em junho a legenda buscou demonstrar proximidade com os evangélicos, em julho o movimento foi direcionado aos católicos. Em ambos os casos, a mensagem central é semelhante: associar programas sociais e propostas de governo a valores cristãos, enquanto critica o uso das igrejas como instrumento de mobilização partidária.
Fonte comunhão



