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Vale a selfie? Os limites da adrenalina à luz da Bíblia

Por Cristiano Stefenoni

Até que ponto a busca por aventura, adrenalina e experiências marcantes é compatível com o cuidado que a Bíblia ensina sobre a vida? A morte de Caio Rocha Aguiar, de 44 anos, após cair de uma altura de cerca de 150 metros enquanto tentava fazer uma selfie na Pedra do Macaco, em São José do Imbassaí, distrito de Maricá (RJ), no último domingo (28), reacendeu uma discussão que vai além da tragédia. Afinal, quando a diversão deixa de ser lazer e passa a representar um risco desnecessário à própria existência?

O caso ocorrido no Rio de Janeiro não é um episódio isolado. Um levantamento publicado no periódico científico Journal of Family Medicine and Primary Care identificou 259 mortes relacionadas à tentativa de fazer selfies em diversas partes do mundo entre 2011 e 2017. Os pesquisadores alertam que o número real pode ser ainda maior, já que muitas ocorrências acabam registradas apenas como quedas, afogamentos ou acidentes, sem mencionar a tentativa de fotografia. O estudo também apontou que 72,5% das vítimas eram homens e que metade delas tinha entre 20 e 29 anos.

As quedas de grandes alturas aparecem entre as principais causas dessas mortes, ao lado de afogamentos e acidentes envolvendo meios de transporte. Em comum, muitos dos casos revelam pessoas que ultrapassaram limites de segurança em busca de uma imagem impressionante, de reconhecimento nas redes sociais ou simplesmente da sensação de desafiar o perigo.

Para os cristãos, porém, a reflexão não se limita à segurança física. A questão também envolve princípios espirituais relacionados ao valor da vida, à responsabilidade individual e ao uso da liberdade. O pastor Sandro de Oliveira Lopes, líder da Igreja do Evangelho Quadrangular de Itapuã, em Vila Velha (ES), acredita que a Bíblia oferece orientação clara sobre o assunto.

“Acredito que há um texto que pode definir essa questão, 1 Coríntios 6:12. Pode até parecer um clichê, mas ele nos mostra que o desejo humano, seja pela aventura, pela sensação de liberdade ou para provar nossa ousadia, pode trazer sérios riscos à nossa vida, podendo resultar até mesmo no fim dela. Podemos buscar a adrenalina da aventura, mas a que preço? Não podemos nos esquecer que o autor e doador da vida é Deus e, portanto, colocá-la em risco sem que seja por um objetivo que não seja a glória dEle é, na minha opinião, pecado”, afirma.

“Há algum louvor a Deus nisso?”
Na avaliação do pastor, antes de qualquer atividade de risco, a pessoa deveria exercitar o bom senso e refletir sobre as possíveis consequências de suas escolhas. Mais do que avaliar o desejo do momento, ele defende que seja feita uma análise honesta dos perigos envolvidos e dos benefícios reais daquela experiência.

“Deveríamos nos perguntar: isso faz sentido? Algo pode dar errado? Há algum louvor a Deus nisso? Vai edificar minha vida? Essas perguntas ajudam a avaliar se estamos diante de uma experiência saudável ou de uma exposição desnecessária ao perigo”, explica.

Isso significa que um cristão não pode praticar esportes radicais? Pode, desde que eles sejam realizados com responsabilidade, preparo físico adequado e respeito aos protocolos de segurança. O problema não está necessariamente na atividade, mas na negligência dos riscos envolvidos.

“O bom senso tem que ser prioridade, além de questões como segurança, se nosso corpo está preparado para a atividade radical, sem contar fatores que fogem do nosso controle, como clima, relevo, altitude, temperatura e as possibilidades de algo dar errado”, destaca.

Quando o assunto chega às igrejas, o pastor defende que a orientação pastoral deve evitar tanto o radicalismo quanto a imprudência. Em vez de demonizar aventuras ou esportes radicais, a comunidade cristã pode incentivar uma cultura de prevenção e responsabilidade, ouvindo especialistas e profissionais qualificados.

“Orientando sempre com a ajuda e recomendações de pessoas profissionais capacitadas e treinadas para essas atividades, e nunca, na minha opinião, espiritualizar algo que parte do desejo humano como: ‘Se Deus quiser, nada de errado vai ocorrer’. Temos que ter a humildade de saber que somos apenas vasos e podemos quebrar. Sendo assim, podemos nos divertir, sim, mas sempre com segurança”, conclui.

Em uma sociedade que valoriza cada vez mais experiências extremas e imagens capazes de gerar impacto imediato nas redes sociais, o desafio é encontrar o equilíbrio entre desfrutar a vida e preservá-la. Para a perspectiva cristã, a aventura pode ter espaço, mas jamais acima da responsabilidade de cuidar do maior presente recebido de Deus: a própria vida.

7 dicas de segurança para aventureiros à luz da Bíblia
1. Não confunda fé com imprudência
“Não tentarás o Senhor teu Deus.” (Mateus 4:7)

Jesus recusou a proposta de se lançar do alto do templo apenas para provar que Deus o protegeria. A lição continua atual: confiar em Deus não significa ignorar riscos evidentes ou desafiar perigos desnecessariamente.

Aplicação: Antes de uma trilha, escalada ou atividade radical, avalie os riscos reais e não presuma que nada acontecerá simplesmente porque você está orando.

2. O bom senso também é um presente de Deus
“O prudente vê o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências.” (Provérbios 22:3)

A Bíblia valoriza a prudência. Reconhecer limites, desistir diante de condições inseguras ou mudar de plano não é sinal de covardia, mas de sabedoria.

Aplicação: Se o clima piorar, o terreno estiver instável ou você não se sentir preparado, volte. A montanha continuará lá amanhã.

3. Sua vida tem valor diante de Deus
“Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6:20)

O corpo não é descartável. A fé cristã ensina que a vida humana é um dom divino e deve ser cuidada com responsabilidade.

Aplicação: Equipamentos de segurança, preparo físico e respeito às normas não são exageros, mas formas de honrar o presente da vida.

4. Não faça algo apenas para impressionar os outros
“Nada façais por ambição egoísta ou por vaidade.” (Filipenses 2:3)

Muitos acidentes acontecem quando alguém tenta registrar uma foto mais ousada ou um vídeo mais impactante para as redes sociais.

Aplicação: Nenhuma curtida vale mais do que voltar para casa em segurança.

5. Ouça quem entende do assunto
“Na multidão de conselheiros há segurança.” (Provérbios 11:14)

Guias experientes, instrutores e equipes de resgate conhecem perigos que muitas vezes passam despercebidos aos aventureiros.

Aplicação: Siga orientações técnicas, respeite áreas interditadas e nunca despreze recomendações de especialistas.

6. Conheça seus limites
“Não pense de si mesmo além do que convém.” (Romanos 12:3)

Excesso de confiança está entre as principais causas de acidentes em trilhas, escaladas e esportes radicais.

Aplicação: Avalie honestamente sua experiência, preparo físico e condições emocionais antes de enfrentar desafios mais complexos.

7. Divirta-se, mas com responsabilidade
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm.” (1 Coríntios 6:12)

A Bíblia não condena o lazer, a aventura ou os esportes radicais. O princípio é discernir se determinada atitude é realmente proveitosa e segura.

Aplicação: A pergunta não deve ser apenas “Posso fazer?”, mas também “Vale a pena correr esse risco?”.

A aventura pode ser uma celebração da vida. A imprudência, porém, pode transformá-la em tragédia. A Bíblia chama o cristão a desfrutar dos dons de Deus sem desprezar a responsabilidade de preservá-los.

Fonte Comunhão




01/07/2026 – Net 3 Gospel

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