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A cura da fonte simboliza o tratamento interior necessário para romper ciclos de autossabotagem na vida cristã – Foto: FreepikPor Patrícia Esteves
Nem todo bloqueio na vida cristã nasce da falta de fé ou de circunstâncias adversas. Há situações em que o entrave está mais perto do que se imagina: no próprio crente. A autossabotagem, embora pouco nomeada nos púlpitos, atravessa histórias de pessoas que conhecem a Palavra, frequentam a igreja e ainda assim convivem com estagnações recorrentes na vida espiritual, familiar e ministerial.
“Você já deve ter ouvido – ou talvez já tenha dito a alguém – uma frase parecida com esta: a pessoa tem tudo para ser feliz, mas não é”. A provocação feita pelo pastor Marcelo Gomes, da Assembleia de Deus Ministério da Família, parte de uma constatação recorrente na vida cristã, pois há crentes que reúnem todas as condições para avançar, mas permanecem estagnaSegundo ele, não se trata apenas de contexto social, histórico ou familiar. “Há uma diferença entre quem não tem nada e quem aparentemente tem tudo”, diz. Ainda assim, muitos que tiveram estrutura, acesso à fé e conhecimento bíblico vivem bloqueios persistentes na vida espiritual, familiar ou ministerial.
A força que faz dar errado
O pastor nomeia esse fenômeno: autossabotagem. “Autossabotagem é essa inclinação que uma pessoa tem de se tornar a maior inimiga de si mesma, o maior problema a enfrentar, a pedra mais incômoda no próprio sapato”, explica. Não se trata de falta de fé declarada, mas de conflitos internos que impedem o crente de viver aquilo que já recebeu de Deus.
Ao recorrer ao texto de 2 Reis 2, Marcelo Gomes destaca que Jericó era “boa, bem localizada”, mas improdutiva por causa da água contaminada. “Esse ‘mas’ que a autossabotagem coloca na nossa caminhada, na nossa trajetória, na nossa jornada” revela que o problema não está no que se vê, mas na origem que sustenta a vida, de acordo com o pastor.
Família, casamento e ministério em risco
Na prática, essa fonte adoecida se manifesta em diferentes áreas. Há famílias marcadas por palavras duras, casamentos paralisados por orgulho e mágoas, pais que projetam frustrações nos filhos e ministérios que começam bem, mas não sustentam o pÉ possível que alguém que teve estrutura, que foi criado no caminho certo, que conhece a Palavra e, ainda assim, vive um inferno familiar”, lembra o pastor. A fé permanece, mas não produz frutos porque a raiz não foi tratada.
Medo, culpa, orgulho e insegurança
Marcelo Gomes, ensina que entre as causas mais comuns da autossabotagem estão raízes internas profundas. O medo paralisa, a culpa aprisiona ao passado, o orgulho impede o tratamento e a insegurança faz o crente recuar mesmo diante de portas abertas. Esses fatores, quando não confrontados, contaminam decisões, relacionamentos e escolhas espirituais.
Por isso, a autossabotagem não atinge apenas pessoas fragilizadas, mas também aquelas com chamado, dons e responsabilidade. Quanto maior o potencial, maior a necessidade de vigilância interior.
Quando Deus trata a fonte
A resposta bíblica ao problema não está em ajustes externos. No relato de Eliseu, Deus age diretamente na nascente. “Ele começa na água. Ele começa na fonte”, reflete Marcelo. A purificação simbolizada pela tigela nova e pelo sal aponta para recomeço, cura e restauração pQuando a fonte é tratada, os efeitos se tornam visíveis e duradouros. “A autossabotagem perde espaço quando a fonte é tratada”. O crente deixa de lutar contra si mesmo e passa a cooperar com o propósito de Deus, vivendo de forma íntegra e produtiva.
O pastor lembra que não basta avançar, produzir ou conquistar. É preciso cuidar da sua origem. Porque somente uma fonte saudável sustenta uma vida que glorifica a Deus e gera frutos que permanecem.
Fonte Comunhão



