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Segundo o pastor Glauco Ferreira, A caminhada até o pertencimento passa por diferentes etapas – Foto: IAPor Patricia Scott
Muitas igrejas afirmam ser acolhedoras, mas a experiência das famílias autistas revela se esse acolhimento realmente acontece na prática. Para o pastor Glauco Ferreira, idealizador da página “Autismo na Igreja”, a inclusão precisa ir além dos discursos e alcançar atitudes concretas no cotidiano das comunidades cristãs.
Segundo ele, a verdadeira pergunta que uma igreja deve fazer é se uma família autista perceberia esse cuidado logo nos primeiros minutos ao chegar ao templo. A inclusão, destaca o pastor, aparece nos detalhes: na forma como as pessoas lidam com as diferenças, na preparação dos líderes e membros, nos ambientes adaptados e na disposição de eliminar barreiras que podem dificultar a participaPara muitas famílias, a chegada à igreja ainda envolve desafios. Algumas precisam repetir as mesmas explicações todos os domingos, lidar com olhares de julgamento ou se preparar para possíveis situações de desconforto antes mesmo de encontrar um lugar para sentar.
“Uma família que chega à igreja não deveria precisar explicar as mesmas coisas todos os domingos”, afirma Glauco Ferreira.
O pastor ressalta que a presença física de uma criança autista em uma comunidade não significa, necessariamente, que ela esteja integrada. Segundo ele, estar no ambiente é diferente de fazer parte dele.
A caminhada até o pertencimento passa por diferentes etapas: exclusão, quando a pessoa permanece afastada; segregação, quando é colocada à parte; integração, quando é apenas admitida; inclusão, quando participa e é considerada; e pertencimento, quando é acolhida, valorizada e reconhecida como parte da faGlauco Ferreira também chama atenção para a forma como algumas igrejas lidam com crises. Na visão dele, comportamentos associados ao autismo ainda podem ser interpretados de maneira equivocada. “Crises não são rebeldia, são comunicação”, destaca.
Para o pastor, uma igreja preparada não espera um problema acontecer para pensar em inclusão. O cuidado precisa ser planejado antes, criando uma cultura de acolhimento permanentA inclusão começa quando a igreja decide remover barreiras. O pertencimento começa quando a pessoa deixa de ser visitante e passa a ser família”, conclui Glauco Ferreira.
Fonte Comunhão



