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Essa teologia foi praticamente refutada no final do século I, mas suas consequências práticas permanecem na Igreja até hoje. A rigidez puritana em relação ao sexo, a autoflagelação monástica, as proibições evangélicas à dança — historicamente, o corpo e os sentidos foram vistos como obstáculos à adoração ou simplesmente ignorados.
Essa não é a atitude encontrada na BíbliEntregue Seu Corpo a Deus
Pelo contrário, os autores bíblicos valorizam o corpo. A ligação entre corpo e adoração aparece em quase todas as páginas. David, em especial, usa uma linguagem física e sensorial para expressar seu relacionamento com Deus. No Salmo 63, ele declara:
“Pois o teu amor é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam. Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as mãos. A minha alma estará satisfeita, como de gordura e de leite, e a minha boca te louvará com alegria.”
O apóstolo Paulo, conhecido por sua abordagem mais intelectual, orienta os romanos a “entregarem seus corpos a Deus por tudo o que Ele fez por vocês. Que eles sejam um sacrifício vivo e santo, agradável a Deus. Esse é o verdadeiro culto.” Existe, portanto, um vínculo espiritual entre a verdadeira adoração e a dedicação do corpo.
E, claro, há Jesus, “o Verbo que se fez carne”. Essa frase, tão conhecida, perde um pouco da estranheza original. A humanidade tinha um problema espiritual profundo que Deus resolveu de maneira igualmente profunda e Não estou dizendo que não existe diferença entre o mundo físico e o espiritual. Existe, sim. O que quero sugerir é que as conexões entre eles são mais numerosas do que imaginamos. Ignorar essas conexões faz com que uma parte importante da nossa vida espiritual atrofiem. Isso não quer dizer que você não possa ser um bom cristão sem exercícios físicos. Significa que nossos corpos foram criados por Deus e há algo espiritual em usá-los.
Somos Sua Obra-Prima
A palavra “força”, no hebraico original citado por Jesus, é melhor compreendida como “habilidade” ou “capacidade”. É um termo prático, relacionado às ações diárias — agricultura, viagens, guerras — por isso o Antigo Testamento frequentemente pede a Deus bênçãos na colheita, proteção no caminho e vitória nas batalhas. Os hebreus antigos levavam vidas duras e físicas. Amar a Deus com toda a força era natural para eles.
No século XXI, essa ideia parece mais distante.
O trabalho, o lazer, os relacionamentos e até o sexo modernos são cada vez mais digitais — desconectados do corpo. A força hoje é medida por habilidades na internet, número de amigos no Facebook ou seguidores no Twitter. Nossa “capacidade” e nosso “corpo” estão cada vez mais separados. E o conceito de amar a Deus com toda a força torna-se esTalvez exista uma forma de adorar a Deus navegando na web, mas quanto menos nosso corpo estiver integrado à vida diária, menos conseguiremos usá-lo para amá-Lo com nossas ações. Não podemos ignorar o corpo na Escritura, nem em nossa vida espiritual. Nossos corpos — dedos, nariz, quadris, calcanhares — foram tecidos com cuidado. Somos “obra-prima de Deus, criados em Cristo Jesus para fazermos boas obras que Ele preparou para nós” (Efésios 2:10).
Para finalizar, a “união hipostática” é o termo técnico para a natureza dupla de Cristo, plenamente Deus e plenamente homem. É um conceito bíblico que devemos aceitar mais do que compreender por completo. Mas, se seguirmos o conselho de Paulo e dedicarmos nossos corpos a Deus em adoração, estaremos, de certo modo, participando de algo simultaneamente físico e espiritual. Estamos tomando parte na dança divina de Deus, que não se limita ao espiritual ou ao físico, mas envolve todo o nosso ser: coração, alma, mente e força. (Com informações de RELEVANT – Relevantmagazine)



