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Licença-paternidade favorece bem-estar emocional dos homens

A licença-paternidade deve ser vista além de um benefício trabalhista – Foto: FreePik Patricia Scott

A chegada de um filho representa uma fase de grandes transformações dentro da família. Embora as consequências emocionais do pós-parto sejam mais frequentemente associadas às mães, pesquisas recentes apontam que os homens também podem enfrentar desafios psicológicos ao assumir o papel de pai. O período de adaptação e a possibilidade de participar dos primeiros cuidados com o bebê podem influenciar diretamente a saúde emocional paterna.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie, em Chicago (EUA), apontou que homens que não conseguem usufruir de uma licença parental adequada apresentam maior risco de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão. O levantamento foi publicado no periódico científico American Journal of Public HealthPara os pesquisadores, a licença-paternidade deve ser vista além de um benefício trabalhista. Segundo eles, trata-se de uma medida com reflexos na saúde pública, já que interfere na adaptação familiar, no vínculo entre pais e filhos e no equilíbrio emocional dos adultos envolvidos.

A equipe americana analisou dados da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio de 2022 e 2023, considerada uma das bases mais completas sobre a experiência dos homens durante o período perinatal nos Estados Unidos. Foram avaliados 4.290 pais de primeira viagem, utilizando questionários reconhecidos para identificar sinais de depressão e ansiedade.

Do total de participantes, 6,6% apresentavam sintomas depressivos e 11% relatavam sinais de ansiedade. Em relação ao afastamento profissional, 15% dos pais disseram não ter tirado licença, 54% tiveram licença remunerada, 22% utilizaram licença não remunerada e 9% combinaram os dois formatos.

Os resultados mostraram que a ausência de uma licença remunerada esteve relacionada a maiores dificuldades emocionais. Pais que precisaram recorrer à licença sem pagamento tiveram 58% mais chances de apresentar sintomas de ansiedade em comparação com aqueles que conseguiram se afastar recebendo salário. pesquisa também revelou que os homens que gostariam de ter tirado licença, mas não conseguiram, apresentaram maior probabilidade de relatar ansiedade e depressão. Entre os pais com sinais de piora na saúde mental, 75% apontaram questões financeiras como motivo para não solicitar o afastamento.

“Os resultados mostram que a licença remunerada pode apoiar os novos pais durante a transição para a paternidade, oferecendo tempo e recursos para esse início de vida familiar”, afirmou Craig Garfield, autor principal do estudo e pediatra do Hospital Lurie.

Dados anteriores do mesmo pesquisador reforçam o cenário: um levantamento publicado em 2025 indicou que 64% dos homens nos Estados Unidos tiram menos de duas semanas de licença após o nascimento do filho.
Na avaliação dos especialistas, ampliar políticas de licença parental remunerada e diminuir obstáculos econômicos pode contribuir para melhorar a saúde mental dos pais e fortalecer as relações familiares.

Saúde mental

Outro estudo também publicado na American Journal of Public Health, conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, chegou a uma conclusão semelhante: períodos equilibrados de afastamento do trabalho podem favorecer a saúde mental dos pais, especialmente quando permitem participação ativa nos cuidados iniciais da criança.Na Suécia, pesquisadores acompanharam 746 homens durante 18 meses, observando os efeitos da duração da licença parental sobre sintomas depressivos. Os participantes responderam questionários quando seus filhos tinham cerca de 9 meses e novamente quando as crianças chegaram aos 27 meses.Após considerar fatores como condições socioeconômicas, contexto familiar e o tempo de licença das mães, os cientistas identificaram que pais que permaneceram afastados por vários meses apresentaram menor risco de desenvolver sintomas depressivos.

Os melhores resultados apareceram entre homens que tiraram entre 14 e 40 semanas de licença. Esse grupo teve menor probabilidade de apresentar sinais de depressão em comparação com aqueles que ficaram afastados por até quatro semanas.

“Nossos dados sugerem que uma licença superior a 90 dias, mas sem ultrapassar uma parcela significativa do período disponível, pode estar associada a melhores indicadores de saúde mental dos pais”, explicou Michael Wells, professor do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança do Instituto Karolinska.

As pesquisas reforçam que o cuidado com a saúde emocional após o nascimento de um filho não deve ser visto apenas como uma questão materna. O envolvimento dos pais desde os primeiros momentos pode ter efeitos duradouros para toda a família.

Fonte Comunhão.




25/06/2026 – Net 3 Gospel

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