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Por Patricia Scott
Nove membros da Igreja Zion foram libertados após permanecerem mais de oito meses detidos pelas autoridades chinesas. A denominação, considerada uma das maiores redes de igrejas domésticas da China, tem enfrentado restrições governamentais desde que foi fechada oficialmente em 2018. o país aparece na 17ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026, produzida pela organização Portas Abertas, que acompanha a situação de cristãos perseguidos ao redor do mundo.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (19), a Igreja Zion informou que os cristãos deixaram o centro de detenção em Beihai após o encerramento do prazo máximo permitido para a chamada detenção investigativa prevista na legislação chinesa.
Entre os libertados estão Sun Cong, Liu Jiang, Li Shengjuan, Wei Yunfei, An Mei, Zhan Ge, Hu Yanzi, Mei Liming e Zhu Mingli. Familiares e integrantes da comunidade religiosa aguardavam do lado de fora do local e relataram que os nove aparentavam estar em boas condições físicas e emocionais.
A libertação foi recebida com alívio por organizações que acompanham casos de perseguição religiosa no país. Bob Fu, presidente da ChinaAid, afirmou que o retorno dos cristãos às famílias representa um momento significativo para a comunidade internacional.
“Celebramos com os nove crentes da Igreja Zion que finalmente se reuniram com suas famílias após mais de oito meses de detenção injusta. Sua libertação é um desenvolvimento bem-vindo e uma resposta às orações de inúmeros cristãos ao redor do mundo”, declarou.
Apesar da libertação de parte dos membros da igreja, nove líderes continuam detidos e passaram a responder a acusações mais graves. Segundo a ChinaAid, os processos avançaram com alegações envolvendo supostas “operações comerciais ilegais” e “fraude”.
Entre os líderes estão o pastor fundador Ezra Jin Mingri, Wang Lin, Gao Yingjia, Yin Huibin, Liu Zhenbin, Lin Shucheng, Wang Cong, o ancião Wang Zhong e Wu Qiuyu.
Os religiosos foram encaminhados à Procuradoria do Povo do Distrito de Yinhai, em Beihai, onde aguardam o andamento do processo. A equipe jurídica da igreja informou que ainda não teve acesso completo aos documentos da acusação e pretende apresentar a defesa dos líderes.
Em nota, a Igreja Zion rejeitou as acusações e afirmou que suas atividades de ensino bíblico não representam uma prática comercial irregular. A denominação também declarou que as contribuições recebidas são ofertas voluntárias de seus membros e pediu a retirada das acusações.
O caso ganhou repercussão em outubro de 2025, quando aproximadamente 30 membros e líderes da Igreja Zion foram presos durante operações realizadas em diferentes cidades chinesas. Entre os detidos estava o pastor Ezra Jin Mingri. Fundada em 2007 com apenas 20 integrantes, a igreja cresceu ao longo dos anos e chegou a reunir cerca de 10 mil fiéis em aproximadamente 40 cidades, tornando-se uma das maiores congregações domésticas do país. Em setembro de 2018, o governo chinês determinou o fechamento da denominação após a igreja resistir à instalação de câmeras de vigilância em sua sede, localizada em Pequim. Desde então, diversas filiais passaram a ser investigadas e encerradas.
O caso também recebeu manifestações de autoridades e organizações internacionais. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu a libertação dos líderes presos e criticou a repressão contra cristãos que participam de igrejas não registradas.
Outras lideranças políticas norte-americanas, como Mike Pence e Mike Pompeo, também se pronunciaram contra as detenções.
Igrejas domésticas na China e comunidades cristãs em outros países continuam pedindo a libertação dos líderes da Zion e o respeito à liberdade religiosa. Com informações China Aid



