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Além disso, finalizou quatro vezes, criou uma oportunidade para um companheiro e participou diretamente dos dois gols brasileiros antes do intervalo, marcando uma vez e dando uma assistência. Os números reforçam a sensação deixada em campo: praticamente todas as jogadas mais perigosas da seleção passaram pelos pés do camisa 7.Foi uma atuação de protagonista absoluto, com roteiro de filme escrito para ele. Mais do que marcar e participar de outro gol, Vini concentrou boa parte das ações ofensivas da Seleção. Dos quatro gols marcados pelo Brasil nesta Copa até agora, participou diretamente de três: marcou dois e deu uma assistência. O único em que não aparece diretamente nasceu após um rebote de uma finalização sua.
Com Matheus Cunha ocupando espaços entre as linhas, o atacante do Real Madrid ganhou mais liberdade para atacar em velocidade e explorar situações de um contra um. Os dois gols naturalmente colocam Cunha entre os destaques da partida, mas sua contribuição vai além da Finalizações desde que Ancelotti assumiu a seleção, o Brasil costuma funcionar melhor quando ele está em campo. Isso acontece porque Cunha oferece algo raro entre os atacantes brasileiros atuais: capacidade de participar da construção sem abrir mão da presença ofensiva.Ele atua como uma espécie de terceiro meio-campista na fase de construção e como atacante quando a jogada se aproxima da área.
Os dois gols nasceram justamente em transições rápidas, um padrão que já começa a se repetir na equipe sob o comando do treinador italiano. Dos 30 gols marcados pelo Brasil desde a chegada de Ancelotti, cinco surgiram em contra-ataques semelhantes.
O que o resultado esconde
O placar final sugere uma atuação dominante. Os números também apontam superioridade brasileira: 57% de posse de bola e quatro grandes chances criadas contra nenhuma do adversário. Ainda assim, o que fica é menos a confirmação de um modelo e mais a abertura de uma dúvida.
O Haiti ofereceu muito espaço. Em vários momentos, o Brasil encontrou campo aberto para acelerar transições que dificilmente aparecerão diante de seleções mais fortes. E é justamente aí que o resultado perde parte do seu valor como paA equipe segue dependente de lampejos individuais para transformar controle em gols. Em alguns momentos, a circulação de bola ainda é lenta; em outros, a distância entre setores aparece maior do que deveria. São detalhes que passam quase despercebidos contra um adversário frágil, mas tendem a pesar quando o nível sobe.
Ancelotti mexeu menos do que parte da torcida imaginava depois da estreia. Ajustou peças, encontrou uma configuração ofensiva mais funcional e, dentro do contexto, conseguiu uma resposta segura. Mas a sensação é de um time ainda em construção — mais por ajustes pontuais do que por uma ideia totalmente consolidada.
A dúvida, agora, é inevitável e mais incômoda do que o placar sugere: se contra o Haiti o talento individual resolveu, contra a Escócia e, sobretudo no mata-mata, será suficiente sustentar o mesmo roteiro quando não houver espaço, nem margem, nem tempo para depender apenas de inspiração?
Fonte Lance



