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Amizade: o valor de quem fica quando tudo vai mal

Por Patrícia Esteves

Ter amigos de verdade ou acumular contatos superficiais? Para se ter a ideia da importância deste tipo de vínculo, um levantamento do portal Associação Nacional dos Servidores do Judiciário Federal (ANAJUSTRA), em parceria com o Indeed Brasil, revelou que 54% dos brasileiros afirmam ter um “melhor amigo” no trabalho e que esse tipo de vínculo aumenta a satisfação e reduz o estresse no ambiente profissional.

Já a Fiocruz aponta que pessoas idosas com amizades ativas apresentam menor risco de depressão e maior disposição física e mental, enquanto o isolamento social está associado à piora na saúde emocional.A Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação, destaca que amizades estáveis ajudam a diminuir sintomas de ansiedade e depressão e reduzem até mesmo o risco de mortalidade associada a doenças crônicas. Esses dados confirmam uma intuição antiga, mas frequentemente negligenciada na vida moderna: a de que amizades verdadeiras, inclusive dentro do casamento, são um fator de proteção emocional e espiritual.

Outro dado relevante, conforme estes levantamentos, é que o número “ideal” de amigos próximos gira entre três e seis, um círculo de confiança que permite convivência genuína, escuta mútua e reciprocidade. Essa constatação reforça o valor da intimidade e da presença real.

Sobre amizade e casamento

Afinal, o que diferencia um amigo genuíno de um simples acompanhante para os momentos fáceis? A psicóloga Magali Leoto, do Ministério Fortalecendo a Família, observa que “amigos para ‘todas as horas’, estão em falta nos dias de hoje”. Ao que o pastor Sérgio Leoto complementa que “o amigo verdadeiro é aquele que permanece nos bons e maus momentos, embora nem sempre seja convidado para comemorar”.

“Fazer festa na alegria é bem mais fácil! Mas onde estão esses amigos, nas horas difíceis?”, questiona o pastor, de acordo com ele, é na dor que se prova a profundidade dos vínculos.Nem sempre é fácil receber críticas ou conselhos, mesmo daqueles que nos conhecem melhor. Dentro do casamento, o cônjuge muitas vezes ocupa um papel duplo: parceiro de vida e amigo íntimo. No entanto, algumas pessoas têm dificuldade de aceitar alertas ou orientações, mesmo vindos de alguém que deseja genuinamente o seu bem.

Como observa Sérgio Leoto, “algumas pessoas, talvez por insegurança, desvalorizam os conselhos dos ‘amigos cônjuges’”. Ele aponta um tipo de bloqueio emocional comum por orgulho ou medo, há quem se feche àquele que mais o conhece e o ama.

Valor do cônjuge como amigo

O casal reforça que dentro de um casamento, o cônjuge pode ser não apenas parceiro de vida, mas também o amigo mais íntimo e verdadeiro. “Cônjuges são companheiros na caminhada de vida! Ganharam o direito de falar coisas amáveis e também as opiniões divergentes às nossas!”, reforça o pastor Sérgio. Essa perspectiva amplia o conceito de amizade para dentro da família, lembrando que o amor maduro também confronta, aconselha e protege.

Pastor Sérgio e Magali Leoto atuam no aconselhamento familiar há mais de 30 anos – Foto: Arquivo PessoalRelações que se sustentam na escuta e na verdade mútua constroem um ambiente emocionalmente seguro, aponta Magali. Também de acordo com ela, amizades assim, dentro ou fora do casamento, fortalecem a saúde mental e espiritual, tornando as pessoas mais resilientes diante das crises.Nem sempre a ausência de vínculos fortes decorre de falta de amor. Há obstáculos sutis que interferem na formação de amizades duradouras, como a superficialidade das interações, quando os contatos se limitam às redes sociais ou a conversas rasas; o medo da vulnerabilidade, que impede a abertura do coração e a demonstração de fragilidade; o orgulho ou a insegurança, que levam à rejeição de conselhos (especialmente do cônjuge) por receio de parecer fraco ou perder autoridade; e a rotina acelerada, que reduz o tempo de convivência e enfraquece os laços, dificultando o desenvolvimento de relações emocionalmente profundas.

Caminhos para relacionamentos mais ricos

Com base nas reflexões de Magali e Sérgio Leoto sobre vínculos saudáveis, algumas atitudes ajudam a cultivar amizades verdadeiras.

Escuta ativa: ouvir sem interromper, sem julgar, acolhendo o que o outro sente.

Desarmar o emocional: abandonar defesas automáticas e aceitar conselhos sinceros, ainda que desconfortáveis.

Valorizar presença nos momentos ruins: estar junto, mesmo quando a dor é o cenário.

Reter o que é bom: aprender com o que o outro traz, perdoar falhas e conservar o que edifica.

Reconhecer o valor do outro: expressar gratidão fortalece laços e faz bem aos dois lados.

“Valorize mais a qualidade do que a quantidade, nos seus relacionamentos de amizade!”, resume Magali.  Cultivar poucos, mas verdadeiros amigos, inclusive dentro do casamento, é uma escolha de maturidade, de acordo com os missionários Sérgio e Magali que atuam no mistério familiar há 35 anos.

Quando se aprende a ouvir, perdoar e permanecer, as relações deixam de ser refúgio passageiro e se tornam abrigo duradouro, sustentando corpo, mente e fé nos dias bons e difíceis.

Fonte Comunhão




19/06/2026 – Net 3 Gospel

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