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Eu não troco e não quero. O radicalismo da direita é igual ao radicalismo da esquerda. É igual, só muda a ideologia”, declarou. Segundo ele, existe atualmente uma “bolha radical e intolerante” nos dois espectros políticos, da qual procura manter distância. “Eu quero estar distante dessa gente”, acrescentou.
O pastor citou como exemplo as reações que recebeu ao defender, há cerca de seis meses, que uma eventual chapa presidencial formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro seria, em sua avaliação, a melhor alternativa para a direita. A manifestação provocou ataques de apoiadores mais radicais do ex-presidente. “Os ‘bolsominions’, como eu chamo, os radicais da direita, caíram de pau em cima de mim”, afirmoMalafaia também relatou ter enfrentado forte resistência ao alertar sobre os riscos políticos representados por Pablo Marçal durante a disputa eleitoral em São Paulo. Segundo ele, mais de 300 mil pessoas deixaram de segui-lo nas redes sociais após suas críticas. “Eu fiz 30 vídeos desmascarando esse cara. Eu apanhei com força dos bolsominions”, disse. O pastor afirmou que, posteriormente, parte desses críticos voltou atrás e reconheceu seus alertas.
Outro trecho que chamou atenção foi a defesa de critérios éticos acima do alinhamento ideológico. Embora tenha declarado apoio ao senador Flávio Bolsonaro, Malafaia afirmou que esse respaldo não é incondicional. “Eu espero que não venha nada contra a moral dele, de corrupção, de roubalheira, porque se tiver, eu caio fora”, declaroEm seguida, reforçou que a direita não pode adotar uma postura diferente daquela que cobra dos adversários políticos. “Então nós estamos piores do que a esquerda? O corrupto da direita a gente passa a mão na cabeça e o corrupto da esquerda a gente arrebenta? Que princípio de caráter é esse?”, questionou.
Ao abordar a possível candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, o pastor afirmou que a escolha teria sido uma decisão pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Malafaia, não houve consulta a lideranças partidárias nem discussão interna mais ampla. “Essa foi a escolha do pai para o filho mais velho. Não teve conversa com outros”, declarou.
A entrevista também trouxe reflexões sobre estratégia eleitoral. Malafaia voltou a defender que Bolsonaro poderia ter vencido a eleição presidencial de 2022 caso tivesse escolhido um vice oriundo do Nordeste. Segundo ele, o ex-presidente perdeu a disputa por não adotar uma estratégia semelhante à utilizada por Luiz Inácio Lula da Silva ao escolher Geraldo Alckmin para compor sua chapa. “Política não se faz só com paixão. Política se faz com estratégia”, afirmou.
As declarações ganham relevância pelo peso que Malafaia exerce no cenário político e religioso brasileiro. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, pregador de alcance nacional e influenciador com milhões de seguidores nas redes sociais, ele se consolidou nos últimos anos como uma das principais vozes do eleitorado evangélico conservador. Sua proximidade com Bolsonaro e sua participação frequente em campanhas e mobilizações políticas fazem com que suas opiniões repercutam além dos círculos religAo defender o combate à corrupção independentemente da ideologia e ao criticar os setores mais radicais da própria direita, Malafaia sinaliza uma posição que busca diferenciar apoio político de fidelidade incondicional. Para o pastor, a defesa de princípios deve prevalecer sobre alianças partidárias ou identidades ideológicas. “Se tiver comprovação de corrupção, perdeu o meu apoio. E eu faço vídeo dizendo que perdeu o meu apoio”, concluiu.
Fonte Comunhão



