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No entanto, segundo o pastor Lenilberto Miranda, da Assembleia de Deus Ministério Belém, setor 14, no Jardim Ângela, em São Paulo (SP), a ausência de filhos não diminui a importância nem o propósito de um casamento diante de Deus. Ele explica que, embora a Bíblia apresente os filhos como uma bênção divina, a essência da união conjugal está fundamentada em princípios mais amplos, como amor, companheirismo e compromisso espiritual. “O casamento foi instituído por Deus antes mesmo da existência dos filhos. A Palavra mostra que homem e mulher se tornam uma só carne, estabelecendo uma aliança que possui valor próprio e não depende da geração de descendentes”, afirma Miranda, acrescentando que as Escrituras reconhecem os filhos como uma herança do Senhor, mas não estabelecem que casais sem filhos sejam menos abençoados ou incompletos.Ao abordar a realidade de casais que enfrentam dificuldades para engravidar, Lenilberto destaca que a Bíblia registra diversas histórias marcadas pela espera e pela dor. Ele cita exemplos como os de Ana e Sara, mulheres que enfrentaram longos períodos de esterilidade antes de experimentarem o cumprimento das promessas de Deus. “As narrativas bíblicas mostram que Deus conhece profundamente o sofrimento daqueles que aguardam um filho. Porém, também revelam que a fé e a comunhão com Deus não podem ser medidas pelos resultados que uma pessoa alcança ou deixa de alcançar”, observa.O pastor também chama a atenção para a postura que as igrejas devem adotar diante dessa realidade. Segundo ele, cobranças frequentes, comparações e perguntas insistentes podem aumentar o sofrimento emocional de quem já enfrenta desafios pessoais nessa área. “A missão da igreja é acolher, apoiar e caminhar ao lado dessas pessoas. Muitas vezes existem histórias de perdas, tratamentos e lutas silenciosas que a comunidade desconhece. Por isso, é necessário agir com sensibilidade e empatia”, ressalta.A importância dos frutos
Na avaliação de Miranda, uma comunidade cristã saudável não deve avaliar a espiritualidade de um casal pela quantidade de filhos que possui, mas pelos frutos demonstrados em sua vida cristã. “O amadurecimento espiritual é evidenciado pela fidelidade a Deus, pelo amor ao próximo e pelo compromisso com o Reino. Esses são os critérios que realmente importam”, afirma.
Lenilberto compartilha ainda que muitos casais sem filhos convivem com sentimentos como ansiedade, frustração, solidão e até questionamentos espirituais. Em alguns casos, o receio de comentários ou julgamentos leva ao isolamento social. “Existem dores que nem sempre são visíveis. Por isso, o acompanhamento pastoral e o apoio da igreja são fundamentais para fortalecer emocionalmente esses casais e ajudá-los a permanecer firmes na fé”, expPor fim, o pastor enfatiza que a ausência de filhos não impede que um casal cumpra o propósito de Deus. Segundo ele, muitos exercem papel relevante na igreja por meio do discipulado, do serviço cristão e do cuidado com outras pessoas. “O chamado de Deus continua existindo independentemente das circunstâncias. Há inúmeras maneiras de servir ao Reino e impactar vidas. O valor de um casal está em glorificar a Deus com sua caminhada, e não em uma condição específica da vida familiar”, conclui Lenilberto Miranda.
Fonte Comunhão



