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Por Patrícia Esteves
A chegada de um primogênito sempre é cercada de expectativas. Os pais, ansiosos e cautelosos; os avós, orgulhosos; e a família estendida, às vezes insegura sobre o quanto deve se envolver. Há quem diga que, até hoje, o primogênito teria uma posição especial, não apenas no nascimento, mas também em deveres e direitos.
O pastor Sérgio Leoto, do ministério Fortalecendo a Família, lembra que, ao longo dos séculos, os primogênitos (especialmente os homens) foram preparados para grandes responsabilidades. “Os pais carecem de experiência, há temor de algum erro acontecer. Os familiares, nem sempre se sentem bem-vindos para ajudar”, diz. Segundo ele, essa dinâmica ancestral se entrelaça com uma prática social e religiosa muito antiga, mas ainda presente em nossas referências de fé.
Na visão de Leoto, a primogenitura tinha muito mais deveres do que privilégios. “O primogênito, tinha muito mais ‘deveres’ do que ‘direitos’. Deveres de cuidar dos negócios, na ausência do pai, de defesa do clã, em caso de ataque, de bem-estar familiar”, destaca. Ele observa que, embora houvesse direito à herança, essa porção material nem sempre vinha acompanhada de abundância. “Quando havia famílias ricas, os primogênitos tinham mais bens. Mas primogênitos nas famílias pobres tinham só prioridade na liderança do lar”, explica.
Esse modelo, de fato, encontra respaldo histórico e bíblico. A Lei de Moisés previa para o primogênito uma porção dobrada da herança. Além disso, havia um papel cerimonial, antes do sacerdócio levítico se estabilizar, o primogênito podia realizar funções espirituais dentro da família, representando o pai diante de Deus. “O primogênito sucedia o pai como líder social e religioso da família. Eram designados para Deus (funcionavam como sacerdotes dentro de sua casa, na ausência do pai)”, lembra Leoto.
Quando Moisés registrou a Torá, o conceito de primogenitura se formalizou. “A Lei de Deus só ampliou o conceito de ‘primogênito’”, diz o pastor. Ele elenca os aspectos principais dessa lei que foram direito à porção dobrada de herança; sucessão social e religiosa; consagração ao Senhor por meio de deveres sacerdotais domésticos; posteriormente a tribo de Levi seria reconhecida como “primogênita”, com funções especiais no Templo.
Esses elementos não eram apenas simbólicos, eles refletiam uma cultura em que a ordem familiar, o serviço e a herança estavam profundamente entrelaçados. A primogenitura não era apenas uma questão de status, mas de administração responsável.
Para Leoto, a primogenitura bíblica aponta para algo além do mundo terreno. Ele afirma que “o conceito de primogenitura citado na Bíblia continua hoje influenciando a formação familiar. Mas também, num contexto mais amplo, o Senhor aponta para o Messias (Jesus Cristo), primogênito de Deus e o primeiro de muitos irmãos”.
Fonte Comunhão



