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Um adolescente pode passar cerca de uma hora ouvindo uma pregação no domingo. Porém, esse mesmo jovem pode passar dezenas de horas por semana consumindo conteúdos selecionados por um algoritmo.
Uma voz tem apenas alguns minutos; a outra tem acesso durante todo o dia. Essa realidade foi o foco da recente mensagem do apóstolo Jim Raley, que desafiou pais e avós a refletirem sobre o que realmente está moldando a próxima geração.
“Quero dizer algo a vocês. Seus filhos estão sendo discipulados todos os dias por telas, amigos, culturas, algoritmos, por vozes que vocês nunca convidaram para dentro de casa”, afirmou Raley.
fluência dos algoritmos na fé jovem. – Foto: Portal Comunhão/Reprodução
“A questão não é se isso está acontecendo. A questão é: quem tem a atenção deles?”
Durante anos, os cristãos falaram sobre a importância do discipulado. Igrejas investem em ministérios de jovens, pais oram por seus filhos e pastores pregam sobre formação espiritual. Entretanto, um novo formador de discípulos entrou silenciosamente nas casas: o algoritmo.
Raley ressaltou que muitos pais subestimam a influência das plataformas digitais sobre seus filhos. “Se você não discipular seus filhos, o tempo de tela e os algoritmos vão discipliná-los”, alertou.
Os algoritmos nunca param de falar. Eles aprendem continuamente o que prende a atenção e oferecem cada vez mais desse conteúdo. Assim, as crianças aprendem lições sobre identidade, relacionamentos, beleza, sexualidade, verdade e autoestima.
Raley fez perguntas diretas: “Quem está formando a imaginação deles? Quem ensina o que é amor de verdade? Como é um relacionamento? Como é o casamento? O que é sexualidade? O que é verdade? O que é beleza real? O que é identidade? Quem mostra à sua família ou aos seus filhos o que dá valor a uma pessoa?”
Essas lições são repetidas todos os dias. E a repetição é uma das ferramentas mais poderosas do discipulado.
Raley apontou para Deuteronômio 6 como o modelo de Deus para a educação dos filhos. O texto instrui os pais a ensinarem a verdade de Deus em todos os momentos do dia — enquanto estão sentados, caminhando, deitados ou levantando.
Esse modelo se baseia em conversas diárias. “Quero que vocês percebam que o Senhor não disse nesse texto: ‘Deixem as crianças em uma instituição religiosa, entreguem para profissionais cuidarem’”, enfatizou Raley.
“Tudo começa em casa.” A fé, segundo ele, pertence à vida familiar cotidiana. “Ela precisa estar em sua casa, na cozinha, na escola, à mesa, na sala.”
Uma das observações mais fortes de Raley foi sobre como a tecnologia pode separar famílias mesmo quando estão no mesmo ambiente. “As redes sociais conectam o mundo, mas desconectam as pessoas localmente”, disse ele.
“Já vi famílias sentadas à mesa para o jantar: cinco pessoas, cinco telas, nenhuma conversa.”
Cada jantar silencioso é uma oportunidade perdida para o discipulado. Conversas que antes moldavam valores, convicções e fé estão sendo substituídas por telas.
Antes, os pais moldavam a visão de mundo durante viagens de carro, à mesa do jantar e nas conversas antes de dormir. Esses momentos continuam sendo as oportunidades mais eficazes para a formação espiritual.
“Uma casa não é um lugar onde apenas coexistimos, vivendo sob o mesmo teto, mas sem construir nada juntos”, afirmou Raley.
Raley convocou os pais para um discipulado intencional, por meio de limites, conversas, oração e envolvimento ativo.
“Limites não são sinal de que você não confia nos seus filhos. São sinal de que você os ama”, explicou.
Ele também incentivou que os pais deixem de lado a interrogatória e busquem uma conexão genuína. “Conversar é melhor do que interrogar.”
Pais que fazem perguntas, escutam atentamente e falam a verdade bíblica nas situações do dia a dia criam oportunidades para moldar o pensamento dos filhos sobre vida e fé.
A grande questão, segundo Raley, é a influência. Toda criança está sendo discipulada por alguém ou algo. A pergunta que as famílias cristãs precisam responder é se a voz mais alta na vida de um filho pertence à cultura, ao algoritmo ou a Cristo.
“Você não pode deixar a cultura falar mais alto em sua casa do que a convicção”, advertiu.
Muitos pais se preocupam com o que seus filhos enfrentarão ao sair de casa. Mas a mensagem de Raley direciona essa preocupação para outro foco: a maior batalha pela próxima geração pode estar acontecendo todos os dias em um dispositivo na mão da criança.
Os algoritmos estão moldando uma geração, um clique, um scroll (rolar a tela) e um vídeo de cada vez. Os pais não podem entregar esse espaço por negligência ou distração.
Lares cheios de verdade, conversa, oração e da presença de Deus continuam sendo uma das forças mais poderosas na vida de uma criança. Se a próxima geração vai seguir a Cristo, alguém precisa ter a atenção deles primeiro.
James Lasher, escritor e editor experiente da Charisma Media, une fé e narrativa com formação em jornalismo pela Otterbein University e experiência ministerial na Guatemala e no LA Dream Center. Veterano do Corpo de Fuzileiros Navais e da Força Aérea dos EUA, é autor de The Revelation of Jesus: A Common Man’s Commentary e colaborador da revista Charisma. (Com informações de James Lasher – Mycharisma)



