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Por Patricia Scott
A murmuração é um tema abordado pela Bíblia como uma atitude relacionada à falta de confiança, gratidão e dependência de Deus. No entanto, segundo a psicóloga Mary Estevam, coordenadora de supervisão clínica de psicólogos na Igreja Batista do Povo, em São Paulo (SP), é importante diferenciar a murmuração de um simples desabafo emocional.
“O desabafo é uma expressão de um sentimento de dor. Normalmente, quando a pessoa está desabafando, ela está expressando alguma coisa que a incomoda do ponto de vista emocional. O coração está quebrantado e existe uma interação com Deus”, Mary explica.
Por outro lado, segundo a especialista, a murmuração possui outra característica. “É um comportamento que revela incredulidade, ingratidão e dificuldade de confiar em Deus”, afirma.
A psicóloga ressalta que a diferença entre desabafo e murmuração está também no foco da pessoa diante das dificuldades. “Quando a pessoa murmura, ela olha apenas para os problemas e não consegue enxergar as promessas de Deus”, avalia.

Além do aspecto espiritual, Mary salienta que a psicologia observa impactos emocionais relacionados ao hábito de reclamar constantemente. “A reclamação contínua e os pensamentos negativos podem prejudicar a mente. Muitas vezes, as emoções atrapalham a capacidade da pessoa de administrar conflitos e dificuldades com clareza”, atesta.
De acordo com Mary, em alguns casos, a queixa persistente pode estar associada a quadros emocionais que precisam de atenção profissional. “Existem situações como depressão e distimia [também chamada de Transtorno Depressivo Persistente, é uma forma crônica e mais branda de depressão] que podem levar a pessoa a ficar em um estado de queixa constante. Isso não deve ser tratado apenas como comportamento, mas pode ser um sinal de sofrimento emocional”, assinala.
Para a especialista, a murmuração também pode enfraquecer a fé. “Ela atua como um veneno espiritual que paralisa a confiança em Deus. Quando o foco muda das promessas divinas para os problemas, a fé é substituída pela dúvida e pela amargura”, expõe.
Entre os sinais de um coração dominado pela incredulidade, Mary cita sentimentos como insatisfação, tristeza, medo e ressentimento. “A pessoa sente que nada está bom, tudo se torna um peso. O medo do futuro e as experiências dolorosas do passado podem gerar uma dificuldade de acreditar que a situação pode mudar”, observa.
Como caminho contrário à murmuração, a psicóloga aponta a importância da gratidão e da conexão com Deus. Ela lembra o ensinamento bíblico de Filipenses 2:14, que orienta os cristãos a fazerem todas as coisas “sem murmurações nem contendas”.
“Um coração grato consegue enxergar Deus mesmo em meio às dificuldades. Quando existe gratidão e confiança, a pessoa encontra forças para enfrentar os desafios”, conclui Mary.
Fonte Comunhão



