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Escutar nos permite estar presentes. A escuta intencional e ativa exige que desaceleremos e estejamos verdadeiramente presentes. É um processo lento, de troca, uma via de mão dupla. Não se pode acelerar uma conversa ou escuta. É necessário estar aqui e agora.
Como pastor de jovens, frequentemente convoco voluntários para diversas funções. Surpreendentemente, o maior receio para servir no ministério juvenil não é o tempo ou o esforço, mas o medo de não saber o que dizer a um adolescente. Sempre brinco: “Você não precisa falar muito.” Na verdade, adolescentes não precisam de mais um adulto dizendo como devem viver, com quem devem se relacionar ou o que fazer. Eles precisam de um adulto além dos pais que se importe e esteja presente regularmente. Isso é o que todos queremos: pessoas engajadas e presentes em nossas vidas.
Por muitos anos, pensei que só podia oferecer palavras — uma piada, um versículo selecionado, um pensamento sábio ou uma curiosidade. Mas, com o tempo, descobri que o melhor que posso oferecer é meu tempo. Dizem que o tempo é um recurso finito, que nunca se renova. Se for assim, doar seu tempo é doar seu bem mais preciNa história de Jó, ele perde tudo — filhos, bens, esposa e saúde. Quebrantado, seus amigos o encontram chorando na poeira. Em vez de falar, a Bíblia diz: “Então ficaram sentados com ele no chão, sete dias e sete noites, e ninguém lhe dizia palavra, porque viam que o sofrimento dele era muito grande” (Jó 2:13, NVI).Esteja presente. Não precisa falar, apenas esteja. Escutar é o caminho para a presença. Permite perceber que temos mais a oferecer do que palavras: tempo e cuidado. Às vezes, o melhor que podemos dar é um par de ouvidos dispostos a escutar e um coração aberto para amar.
Escutar para orar melhor
Oração, em sua definição mais simples, é uma conversa entre nós e Deus. Porém, frequentemente esquecemos que é um diálogo e transformamos em monólogo, com apenas nossos pedidos e sem esperar resposta.
Em 1 Samuel 3, há uma história em que Samuel ouve a voz de Deus, mas não a reconhece de imediato: “Samuel ainda não conhecia o Senhor; a palavra do Senhor ainda não lhe tinha sido revelada. Pela terceira vez o Senhor chamou: ‘Samuel!’ E Samuel levantou-se e foi ter com Eli, dizendo: ‘Aqui estou, pois me chamaste.’ Então Eli percebeu que era o Senhor que chamava o menino. Eli disse a Samuel: ‘Vai, deita-te; se ele te chamar, responde: Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo.’ Samuel foi e deitou-se no seu lugar. O Senhor veio e chamou como antes: ‘Samuel! Samuel!’ E Samuel respondeu: ‘Fala, pois o teu servo está ouvindo’” (1 Samuel 3:7-10, A frase “Samuel ainda não conhecia o Senhor” explica por que não reconheceu a voz. No Evangelho de João, Jesus diz: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (João 10:27, NVI). As ovelhas conhecem o pastor, e o pastor conhece as ovelhas.
Isso é profundo, pois significa que as ovelhas confiam no que ouvem porque confiam na fonte. Acredito que, mesmo sem ouvir a voz audível de Deus, recebemos sinais e sussurros d’Ele em nossas vidas. Para discernir e confiar no que ouvimos, precisamos conhecer a voz do Pastor. O melhor caminho é ler as histórias bíblicas e entender quem é Jesus e como Deus falou no passado.
O primeiro passo é aprender sobre o Pastor. Podemos fazer isso lendo a Bíblia, conhecendo como Deus se comunicou, como interage com seu povo e quais características Ele revela nos Evangelhos. Ao conhecer Jesus, começamos a reconhecer suas palavras em nossas vidas. Também podemos ouvir testemunhos de outras pessoas sobre como Deus lhes falou. Assim, podemos orar com o propósito intencional de escPara escutar na oração, precisamos estar quietos. O Salmo 46:10-11 diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações, serei exaltado sobre a terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (NVI). Aquietar-se e ouvir.
Assim como evito restaurantes barulhentos que dificultam ouvir meus amigos, a quietude é essencial na oração. Precisamos silenciar nosso coração para discernir a voz de Deus, para que, como Samuel, possamos responder: “Fala, pois o teu servo está ouvindo.”
Em tempos como este, o que aconteceria se seguíssemos o conselho de Tiago para as conversas? Se adotássemos uma mentalidade que prioriza a escuta? Se buscássemos compreender as pessoas antes de tirar conclusões? Se estivéssemos presentes e escutássemos, reconhecendo que nosso tempo pode valer mais que nossas palavras? Se orássemos esperando que Deus realmente converse conosco na quietude?
Acredito que essa sabedoria de escutar pode transformar tudo. (Com informações de Matthew Spear – Relevantmagazine)



