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Por que nem toda oração é atendida como esperamos?

Por Patrícia Esteves

Nem toda oração é atendida como se esperava, e nem toda negativa divina é um silêncio. No universo da fé, essa tensão entre pedir e confiar acompanha muitos que buscam em Deus uma direção clara para suas dores, decisões e desejos. Há momentos em que a resposta não chega, ou chega por um caminho diferente do solicitado. Mas o que isso revela sobre a natureza da oração e, sobretudo, sobre a maneira como Deus age?

A história do rei Davi durante a rebelião de seu filho Absalão, narrada nos capítulos 15 a 19 de 2 Samuel, traz uma dessas situações complexas em que a oração parece ser contrariada, mas é, na verdade, cuidadosamente atendida.Ao perceber que Aitofel, conselheiro brilhante e influente, havia se aliado a Absalão, Davi entra em crise. Ele ora: “Ó Senhor, torna em loucura o conselho de Aitofel” (2 Samuel 15:31). Para o rei, essa era a única chance de sobreviver e preservar o trono. Mas a sequência da narrativa mostra que Deus escolhe outro caminho. Aitofel continua lúcido, oferecendo uma estratégia militar precisa para derrotar Davi, e ela era, como descreve 2 Samuel 17:4, uma proposta que agradava a todos.

“Deus respondeu à oração de Davi de uma maneira diferente”, observa Luke Taylor, ministro das Assembleias de Deus e apresentador do podcast Coisas Estranhas na Bíblia. “Aitofel acabou dando um conselho muito bom, mas Deus fez com que Absalão o rejeitasse”.

Essa rejeição não foi obra do acaso. O texto bíblico afirma que, “Porque o Senhor havia ordenado frustrar o bom conselho de Aitofel, para que o Senhor trouxesse mal a Absalão” (2 Samuel 17:14). Deus intervém não manipulando as palavras de Aitofel, mas influenciando a decisão de Absalão, que opta por ouvir Husai, um conselheiro leal a Davi que, secretamente, propõe uma estratégia falha.O resultado é que Davi se reorganiza, recupera forças e retoma o trono. Absalão morre em batalha, e Aitofel, ao perceber que seu plano foi descartado, tira a própria vida

Pedidos imperfeitos, respostas completas

Para Luke Taylor, a cena mostra que Deus entende o cerne de nossas orações, mesmo quando os caminhos que sugerimos não são os mais sábios. “Deus sabe o que Davi está pedindo em oração. E Davi acha que precisa dar a Deus os detalhes de como realizar isso”, afirma.

Essa postura de Davi é familiar a muitos cristãos. Em vez de simplesmente apresentar um pedido, tenta-se desenhar a solução tendo sob controle o “com quem, quando, de que maneira”. Mas a narrativa bíblica revela que Deus não se limita ao roteiro daquele que ora. Ele conhece as intenções por trás das palavras, e sabe quais delas não devem ser realizadas literalmente. Deus sabe tudo o que realmente precisamos.

A oração de Davi não tinha como objetivo a destruição de Absalão. O próprio texto bíblico mostra que Davi desejava que o filho fosse poupado, mesmo em meio ao conflito. No entanto, a soberania divina compreendia que, para proteger o trono e a continuidade de Israel, seria necessário permitir a queda de Absalão. Assim, a oração foi respondida, mas não como Davi imaginava.

Vontade e confiança andam juntas

Jesus, ao ensinar seus discípulos a orarem, incluiu uma “cláusula” essencial que diz “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). Esse princípio se torna um eixo de equilíbrio entre o que se pede e o que de fato se precisa. “É importante orientar nossas orações dessa maneira, pois isso nos lembra que a vontade de Deus é o que sempre queremos que prevaleça”, afirma Luke TaylorO reconhecimento de que Deus vê além, e antes, das circunstâncias atuais é parte fundamental da maturidade espiritual. Em Isaías 55:8-9, está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos […] assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos”.

Isso não anula o direito ou a liberdade de apresentar desejos específicos em oração. Pelo contrário, como lembra Taylor, “Deus nos convida a apresentar nossos pedidos a Ele”. Mas cabe ao fiel entender que o “não” ou o “não desse jeito” pode ser exatamente a resposta certa.

“Ele não nos dará uma cobra”

A lógica do cuidado divino é também descrita por Jesus em Lucas 11:10-13, ao comparar Deus a um pai que jamais daria algo prejudicial ao filho que pede alimento. Para o cristão, isso significa confiar que, mesmo quando a resposta não corresponde ao pedido literal, ela jamais será para mal.Quando centralizamos nossas orações na vontade de Deus, você não precisa se preocupar com Deus respondendo à sua oração de uma forma que seja prejudicial para você. Se Lhe apresentarmos nossos pedidos com pureza de coração, Ele não nos dará uma cobra quando pedirmos um peixe”, diz Luke Taylor.

Essa confiança não é passividade. É fé sustentada na compreensão de que Deus, em sua sabedoria e amor, responde com vistas ao bem maior, mesmo que isso inclua frustrar nossos próprios planos.

O tempo e os modos dEle

Ao final da história bíblica, Davi não apenas sobreviveu, mas viu restaurado o governo, a honra e a estabilidade do reino. Nada disso se deu como ele havia pedido. Mas a essência de sua oração, a salvação diante da ameaça, foi plenamente respondida.

Para quem ora, esse é um convite à humildade, segundo Luke Taylor. Levar a Deus as angústias, os desejos e até mesmo os planos, mas permitir que Ele reescreva os desfechos com a liberdade de um Pai que conhece os filhos. Como conclui Taylor, “leve suas boas ideias a Deus, e deixe que Ele retorne com uma melhor”.

Fonte comunhão.




04/02/2026 – Net 3 Gospel

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