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O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), uma das principais lideranças da bancada evangélica no Congresso Nacional, é investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, por participação da articulação e da formalização de um acordo entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade que atualmente é alvo de investigações por suspeita de irregularidades em descontos aplicados a benefícios previdenciários.
O acordo teve início como um protocolo de intenções firmado em maio de 2021 e foi efetivado em julho de 2022. A parceria autorizava a CBPA a realizar descontos associativos de até 2,5% nos benefícios de seus filiados. Os descontos passaram a ser aplicados a partir de março de 2023, já durante o atual governo federal.Dados oficiais indicam que, após o início da cobrança, o número de beneficiários com descontos vinculados à entidade cresceu de forma significativa, passando de cerca de 35 mil para mais de 220 mil em poucos meses. Com isso, a arrecadação mensal da confederação também aumentou, alcançando valores milionários.
Auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram que a CBPA chegou a registrar centenas de milhares de associados com descontos ativos. Em levantamentos feitos com beneficiários, a CGU identificou relatos de pessoas que afirmaram não ter autorizado os débitos, o que levou à abertura de investigações conduzidas pela Polícia Federal e outros órgãos de controle.O tema também passou a ser analisado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura a regularidade dos acordos firmados entre o instituto e entidades representativas. Documentos apresentados à comissão mencionam contratos firmados pela CBPA com empresas ligadas a familiares do deputado Silas Câmara para prestação de serviços de comunicação e divulgação institucional.
Procurado, o parlamentar não se manifestou diretamente sobre o caso. Em resposta encaminhada à CPMI, a defesa afirmou que não há indícios de irregularidades envolvendo empresas de familiares e destacou que vínculos familiares, por si só, não configuram ilegalidade.



