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Reclamações constantes desgastam o casamento

Patricia Scott

A Bíblia apresenta a mansidão e a disposição para ouvir como caminhos para interromper ciclos de conflito. “A resposta branda desvia o furor” (Provérbios 15:1) não é apenas uma orientação para momentos de tensão, mas um princípio que pode ajudar casais a lidar com desgastes acumulados antes que pequenas divergências se transformem em crises conjugais. É nesse contexto que o pastor Josué Gonçalves, terapeuta de família e idealizador do SOS Casamento Curado, orienta homens que já não sabem como reagir às constantes reclamações da esposa.

Para Gonçalves, porém, identificar a esposa como única responsável pelo problema pode impedir que o casal compreenda o que está por trás dos conflitos. “Quando tudo vira motivo para reclamação, correção ou discussão, o casamento fica muito pesado”, afirma. Segundo ele, antes de reagir ao comportamento da mulher, é necessário investigar as razões que podem estar alimentando aquela postura.

O especialista explica que manifestações constantes de insatisfação nem sempre surgem de um único episódio. “Às vezes, reclamações constantes escondem frustrações acumuladas, expectativas não atendidas, cansaço ou feridas que nunca foram tratadas”, observa.

A orientação, portanto, é evitar que uma reação gere outra e transforme o relacionamento em uma sequência de acusações. Nesse ponto, Josué Gonçalves recorre ao ensinamento bíblico de Provérbios 15:1: “A resposta branda desvia o furor”.

Para ele, o primeiro passo pode ser escolher um momento de tranquilidade para abrir espaço ao diálogo. Em vez de iniciar outra discussão, o marido pode perguntar: “O que está acontecendo entre nós?” e “O que você sente que eu não estou percebendo?”.

A maneira de ouvir também é decisiva. “Depois, ouça sem preparar sua defesa enquanto ela fala”, orienta o pastor. A recomendação é que o cônjuge tente compreender o que está sendo comunicado antes de elaborar uma resposta ou apresentar justificativas.

Isso, no entanto, não significa aceitar qualquer comportamento em nome da preservação do casamento. Gonçalves ressalta que o amor também precisa ser acompanhado de limites. “Amar não significa aceitar desrespeito, humilhação ou agressão constantes”, alerta.

Outro cuidado apontado pelo terapeuta é evitar decisões tomadas durante momentos de extrema tensão. Ameaças de separação ou de abandono feitas no calor de uma discussão podem aprofundar ainda mais as feridas do casal e dificultar uma conversa posterior.

Em vez de concentrar esforços apenas na discussão mais recente, a orientação é procurar a origem do desgaste. “Procurem tratar a raiz do problema”, afirma o pastor.

Quando a comunicação chega ao ponto em que qualquer tentativa de conversa termina em briga, buscar ajuda especializada pode ser uma alternativa importante. Para Josué, reconhecer essa necessidade não representa fracasso, mas uma oportunidade de interromper um ciclo que o casal não consegue romper sozinho.

“Muitos casamentos não precisam terminar, precisam aprender uma nova maneira de conversar, de ouvir, perdoar e recomeçar”, conclui.

A perspectiva apresentada pelo pastor reforça um princípio presente na orientação bíblica para os relacionamentos: conflitos conjugais não devem ser tratados apenas pela reação ao comportamento do outro, mas também pela disposição de ouvir, reconhecer feridas, rever atitudes e buscar reconciliação. Em muitos casos, o recomeço começa quando o casal deixa de disputar quem tem razão e passa a procurar, juntos, uma maneira saudável de reconstruir o diálogo.

 

Fonte Comunhão.



14/09/2026 – Net 3 Gospel

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