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Falta conselheiros masculinos na Igreja

A ausência masculina no aconselhamento é um desafio crescente. – Foto: Reprodução/ReproduçãoCada verão, na fazenda da minha família no sul de Indiana, um dia era dedicado à colheita manual do milho doce. Aquelas longas e quentes horas ensinaram-nos resiliência, trabalho árduo e senso de dever. Ao olhar para trás, percebo também como essas boas lições podem se transformar em algo menos saudável: a crença de que, quando você está enfrentando dificuldades, deve sofrer em silêncio.

Após quase duas décadas atuando como conselheiro, líder e professor formando a próxima geração de profissionais, tornei-me convencido de que uma das maiores oportunidades perdidas da profissão é justamente a ausência dos homens.

É importante esclarecer que não estou dizendo que há mulheres demais na área de aconselhamento. As mulheres têm servido essa profissão com distinção, trazendo sabedoria, compaixão e excelência clínica para pessoas em profunda necessidade.O problema não está em quem está presente, mas em quem falta. Na área do aconselhamento, não há excesso de mulheres, e sim escassez de homens.

O declínio da presença masculina e suas consequências

Essa ausência masculina nem sempre foi realidade. O Instituto Americano para Meninos e Homens informa que, em 1968, os homens representavam 68% dos psicólogos, enquanto hoje são cerca de 20%. Na área de serviço social, a presença masculina caiu de 38% para aproximadamente 18%.

Ao mesmo tempo, meninos e homens enfrentam grandes desafios. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA registra que a taxa de suicídio entre homens é quase quatro vezes maior que entre mulheres. Dados do CDC mostram que homens têm menos probabilidade de buscar aconselhamento ou terapia.Isso não significa que todo homem precise de um conselheiro do mesmo gênero. A pesquisa sobre a importância do gênero entre cliente e conselheiro é mais complexa. A verdade é que, uma vez estabelecida uma relação terapêutica forte, independentemente dos gêneros envolvidos, o que importa é a confiança, o vínculo, a competência clínica e a capacidade de ajudar o cliente a caminhar rumo à cura.No entanto, antes que qualquer relação terapêutica possa existir, o cliente precisa dar o primeiro passo e entrar pela porta. É nesse momento que a representação masculina faz diferença, não a quilômetros de distância, mas nos primeiros metros.

Existem homens que, eventualmente, conversariam abertamente com uma conselheira talentosa e seriam muito ajudados, mas que ainda não conseguem imaginar iniciar essa conversa com alguém que não seja homem. Há meninos que nunca tiveram uma figura paterna saudável sentada à sua frente, falando com força, paciência e honestidade. Existem maridos, pais, pastores, veteranos, homens jovens e idosos carregando dor, vergonha, ansiedade ou vícios, muitas vezes sem nenhum modelo do que seria um processo de cura.

Masculinidade redimida e o papel do conselheiro cristão

Com frequência, nossa cultura trata a masculinidade como um problema a ser corrigido. Certamente, existem formas distorcidas de masculinidade: a força pode virar dominação, o silêncio pode se tornar covardia emocional, a raiva pode levar à violência. Mas a resposta não está na ausência da masculinidade, e sim em sua redenção.A Escritura apresenta Cristo não apenas como Salvador, mas como o Maravilhoso Conselheiro. Se homens cristãos buscam exemplos de força, não precisam procurar mais. A Bíblia mostra o pastor que entrega a vida pelas ovelhas, o Senhor que lava os pés, e desafia os homens a suportar fardos, proteger os vulneráveis, dizer a verdade, confessar pecados, buscar sabedoria e servir sacrificialmente.Essas qualidades não precisam apenas ser ensinadas nos púlpitos, mas demonstradas nas cadeiras de aconselhamento.

Reconhecemos com justiça o chamado de Deus para o ministério pastoral, missões no exterior, ensino, ser marido, liderança e paternidade. Mas e quanto ao chamado para o aconselhamento?

Existem jovens nas igrejas que desejam servir a Cristo, mas podem não ser chamados para pregar. Existem pais e homens em uma segunda carreira que passaram por experiências difíceis. Poderiam ser treinados para caminhar com sabedoria ao lado de outros? Existem estudantes comprometidos com o ministério que precisam ouvir que o divã do conselheiro é uma forma de servir à igreja e avançar sua mensagem.

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA projeta um crescimento significativo para as funções de aconselhamento em saúde mental na próxima década. Mas isso vai além dos dados sobre o mercado de trabalho: trata-se de um discipulado que salva vidas.

A Igreja há muito chama os homens para pregar, plantar igrejas e liderar famílias. Talvez seja hora de também chamar mais homens para a cadeira do conselheiro.

Dr. Ryan M. Burkhart é Decano da Escola de Aconselhamento e Professor de Aconselhamento na Colorado Christian University. (Com informações de Ryan M. Burkhart – Christianpost)




24/08/2026 – Net 3 Gospel

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