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Flávio adaptará discurso específico para cada denominação

Por Cristiano Stefenoni

A disputa pelo voto evangélico entrou em uma nova fase na campanha presidencial de 2026. Após a divulgação da mais recente pesquisa Quaest, que mostrou uma redução da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os evangélicos, a coordenação da campanha do parlamentar decidiu investir em uma estratégia de comunicação ainda mais segmentada.

A campanha de Flávio passará a produzir vídeos específicos para diferentes denominações evangélicas, adaptando desde a saudação utilizada pelo candidato até os temas enfatizados em cada mensagem.

A iniciativa, segundo o G1, parte da avaliação de que o público evangélico não forma um bloco homogêneo. Embora compartilhe princípios cristãos, cada tradição desenvolveu costumes, linguagem e referências próprias ao longo de décadas.

Entre os exemplos citados estão as diferentes formas de cumprimento utilizadas nas igrejas. Na Assembleia de Deus, é comum a expressão “A paz do Senhor”. Em muitas igrejas batistas, predomina “Graça e paz”. Na Igreja Vitória em Cristo, a saudação costuma ser “A paz de Cristo”, enquanto na Congregação Cristã no Brasil os membros utilizam “A paz de Deus”.

A ideia é que o candidato grave versões diferentes da mesma mensagem, respeitando essas particularidades e abordando assuntos considerados mais relevantes para cada segmento.

A personalização das mensagens não envolve apenas a forma de cumprimento. Cada tradição evangélica possui características doutrinárias, estruturas administrativas e prioridades pastorais distintas.

Enquanto algumas denominações costumam enfatizar temas ligados à família e à liberdade religiosa, outras dão maior destaque à assistência social, ao combate às drogas, à recuperação de dependentes químicos, às missões ou ao empreendedorismo.

Na avaliação dos estrategistas políticos, falar utilizando referências familiares ao público aumenta a identificação e reduz a percepção de distância entre candidato e eleitor.

Há igrejas históricas, pentecostais, neopentecostais e comunidades independentes, cada uma com perfis distintos de liderança e de participação política. Além disso, fatores como renda, escolaridade, faixa etária e localização geográfica continuam influenciando o comportamento eleitoral, ao lado das convicções religiosas.

Esse tipo de segmentação já é amplamente utilizado no marketing político em outras áreas, considerando fatores como idade, profissão, região e interesses. A novidade está na sofisticação da comunicação direcionada especificamente para diferentes tradições religiosas.

Além dos vídeos personalizados, a campanha pretende intensificar o diálogo com lideranças de grandes denominações. A coordenação identificou pelo menos cinco igrejas consideradas prioritárias para ampliar a interlocução.

Entre elas estão o Ministério de Madureira, ligado ao bispo Manoel Ferreira, a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo, e a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago.

A expectativa é ampliar canais de diálogo, fortalecer pontes institucionais e buscar apoio de lideranças influentes em diferentes regiões do país.

Um eleitorado cada vez mais disputado

O movimento ocorre porque os evangélicos continuam sendo um dos grupos mais estratégicos da eleição presidencial. A pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou Flávio Bolsonaro com 35% das intenções de voto entre os evangélicos, contra 28% de Lula. Como a margem de erro para esse recorte é de quatro pontos percentuais, os dois aparecem tecnicamente empatados.

No levantamento anterior, realizado em julho, Flávio registrava 39%, enquanto Lula tinha 26%, cenário que indicava uma vantagem mais confortável para o candidato do PL. Embora o senador continue liderando nesse segmento, a aproximação do petista acendeu um sinal de alerta na coordenação da campanha.

O que muda na estratégia

  • Produção de vídeos específicos para cada denominação.
  • Uso das saudações tradicionais de cada igreja.
  • Ênfase em temas valorizados por diferentes segmentos.
  • Aproximação com lideranças nacionais.
  • Comunicação mais segmentada nas redes sociais.
  • Conteúdos direcionados para públicos específicos.
  • Fonte comunhão.



07/08/2026 – Net 3 Gospel

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