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É bom saber nem tudo é batalha espiritual

Já vi isso acontecer com pessoas que amo — uma amiga cujo TOC foi interpretado como invasão demoníaca, até ela ter medo da própria mente; um rapaz do ministério universitário que ouviu que sua depressão era questão de pecado e passou dois anos em vergonha antes de alguém sugerir que ele investigasse sua química cerebral; uma mulher cujos ataques de pânico foram tratados como problema de fé, até que ela parou de frequentar a igreja porque o próprio espaço físico se tornou um gatilho.

 

A crueldade geralmente não é intencional. Surge da crença genuína de que o espiritual é a realidade mais verdadeira — crença que, teologicamente, tem muito fundamento. Mas mesmo essa crença, mal aplicada, pode se tornar uma forma de evitar estar presente no sofrimento do outro. Chamar algo de batalha espiritual é algo limpo, tem um protocolo claro e permite sentir que está ajudando, enquanto se evita o trabalho mais difícil e lento de simplesmente estar juntJesus e a dimensão física do cuidado

Jesus curava pessoas, mas também as orientava a se mostrarem aos sacerdotes, a se lavarem no tanque, a pegarem suas camas e andarem. Ele se encontrava com as pessoas em sua realidade física, tangível e encarnada, e lidava diretamente com isso, nunca espiritualizando tudo para uma abstração. Ele tocava os leprososNão estou contra a oração — oro constantemente e acredito que Deus move-se de formas que desafiam explicações clínicas. Mas também creio que o mesmo Deus que “me formou no ventre de minha mãe” entende neurologia, e que o mesmo Espírito que intercede por nós atua por meio do terapeuta que me ajudou a enxergar o padrão de pensamento que me aprisionava desde os 9 anos.Limitar o envolvimento de Deus em nossa cura a um conjunto restrito de práticas espirituais é ter uma visão pequena de um Deus muito mais presente em nossa recuperação do que esse quadro permite.

 

A mudança que precisei — e que vi outros precisarem — não foi de oração para terapia, mas de oração em vez de terapia para oração ao lado da terapia. Medicamentos e meditação, terapia e Escritura, comunidade e apoio profissional. O “e” é onde muitas pessoas estão realmente melhorando, e a relutância da igreja em dizer isso abertamente tem custado anos de vida a muitos.

 

Continuo frequentando a igreja, acredito na realidade das forças espirituais e reconheço que há batalhas acontecendo ao nosso redor que não conseguimos perceber completamente. Mas também sei que a coisa mais espiritual que alguém fez por mim nos piores anos da minha vida não foi amarrar um demônio — foi minha terapeuta me entregar um lenço e dizer: “Isso não foi sua culpa. Vamos conversar sobre o que acontecÀs vezes a batalha é real, e às vezes o que parece uma batalha é apenas uma pessoa que precisa de ajuda, e a resposta mais fiel é estar presente e permanecer.

 

(Com informações de Jocelyn Adams – Relevantmagazine)




08/04/2026 – Net 3 Gospel

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