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O pastor Jailton Félix, da cidade de Rio Bonito-RJ, chama atenção para o fato de que o texto bíblico não destaca a fé do homem enfermo, mas sim a dos amigos. “Jesus não viu a fé do paralítico, Jesus viu a fé dos amigos, Jesus viu a fé deles”, afirma. A leitura, segundo ele, leva a uma reflexão sobre as relações que construímos.
“É muito importante que nós tenhamos o discernimento para nos cercar de amigos que tenham fé. Junte-se com pessoas que tenham fé, porque nos momentos de adversidade, nos momentos de dúvida, quando você mesmo estiver desmotivado e achar que não vai conseguir, eles sempre estarão do seu lado dizendo: ‘você vai vencer, nem que para isso eu tenha que te carregar e te levar por cima do telhado, mas você vai chegar lá’”, diz.
Essa lógica da fé compartilhada não é nova. A tradição cristã tem, ao longo dos séculos, valorizado a comunidade como espaço de amparo, correção e encorajamento mútuo. O apóstolo Paulo já orientava os crentes de Gálatas com a seguinte recomendação: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6Nesse sentido, ao ser curado por Jesus, o homem é também restaurado social e espiritualmente. “Jesus, além de curá-lo, estava inserindo de novo essa pessoa à sociedade, como alguém transformado, renovado em todas as áreas de sua vida”, diz Leone. A fé dos amigos, portanto, não apenas possibilitou uma cura, mas foi instrumento de reintegração plena daquele homem à vida comunitária.
Ser o que o outro não consegue
O gesto de carregar alguém até Jesus é, para os pastores, um símbolo potente da missão que os cristãos têm uns com os outros. “Talvez eles não estejam paralíticos, mas falte ânimo a eles. Que nós sejamos esse ânimo e que nós possamos levá-los àquele que cura, não apenas as nossas doenças e enfermidades físicas, mas também àquele que vai além, que perdoa e apaga os nossos pecados e nos insere de novo na sociedade”, propõe o pastor LeoNa prática, isso implica agir quando o outro está sem forças. “Nós temos que ser, para as pessoas que precisam, o que eles não podem ser. Nós temos que fazer por eles o que eles não conseguem fazer. Nós temos que ir aonde eles não conseguem ir”, continua.
“Cerque-se de amigos que acreditam”, insiste pastor Jailton. Em um mundo que valoriza a autonomia, a imagem desses quatro homens rompendo o telhado para garantir que alguém encontre esperança ganha ainda mais relevânciA história do paralítico de Cafarnaum permanece viva porque expõe uma verdade elementar: ninguém caminha sozinho. E quando falta força, é a fé do outro que pode abrir telhados e reconstruir caminhos



