MENU



Uma nova pesquisa mostra que a maioria dos pastores já usufrui dos benefícios da inteligência artificial (IA) para uso pessoal, mas muitos ainda manifestam preocupações sobre o impacto dessa tecnologia no ministério, especialmente quanto à substituição da orientação espiritual e à confiança dos fiéis.
O relatório Technology for Missional Impact: State of Church Tech 2026, produzido pela Barna em parceria com a Pushpay, revela que cerca de 60% dos líderes de igrejas utilizam a IA ao menos algumas vezes por mês para fins pessoais, enquanto 24% afirmam nunca recorrer a essa tecnologia.
Segundo o estudo, os líderes e pastores que adotam a IA a utilizam principalmente como recurso para apoiar a criatividade e a eficiência. As aplicações mais comuns envolvem a geração ou edição de materiais escritos, gráficos, e-mails, publicações em redes sociais e, em alguns casos, até mesmo sermões. Isso está alinhado com a visão geral dos líderes sobre a tecnologia como um auxílio na comunicação.
Esses dados complementam outra pesquisa divulgada em dezembro passado, The 2025 State of AI in the Church Survey Report, que indicou que a maioria dos pastores usa ferramentas como ChatGPT e Grammarly para preparar suas mensagens.
Apesar da adoção crescente, o estudo Barna-Pushpay destaca várias inquietações práticas e espirituais entre os líderes religiosos. Cerca de 51% demonstram estar muito preocupados com questões de plágio e a possível comprometimento da integridade das mensagens, enquanto outros 30% se dizem algo preocupados.Além disso, quase metade dos entrevistados, 49%, expressa grande apreensão quanto à perda da autenticidade na pregação e no ensino. A privacidade dos dados também é um tema sensível, com 83% dos líderes se mostrando muito ou moderadamente preocupados.
Embora muitos pastores tenham receios, a maioria ainda não incorporou a IA formalmente em suas igrejas. Cerca de 58% afirmam que suas congregações não utilizam IA, 33% dizem que usam de alguma forma, e 8% não sabem informar.
Em outra pesquisa recente da Barna, realizada em parceria com a Gloo, aproximadamente um terço dos cristãos praticantes nos Estados Unidos acredita que o aconselhamento espiritual oferecido pela IA é tão eficaz quanto o de um pastor. Este percentual é maior entre os cristãos praticantes do que entre os não praticantes ou não cristãos.
Os líderes entrevistados manifestaram preocupação com o impacto da IA na espiritualidade americana. Embora poucos temam ser completamente substituídos pela tecnologia, cerca de 65% receiam que a IA possa deslocar sua orientação espiritual, e 70% temem que isso comprometa a confiança dos congregados.
Para lidar com essas tensões, os pesquisadores sugerem que a criação de diretrizes claras é fundamental. A maioria dos líderes (24% com muita e 40% com alguma convicção) acredita que as igrejas devem estabelecer políticas para o uso da IA. Contudo, apenas 5% afirmam que suas igrejas já possuem uma política formal, evidenciando uma lacuna significativa entre a responsabilidade percebida e a preparação organizacional.
Apesar dos cuidados, a tecnologia é vista como uma ferramenta que traz benefícios reais. Cerca de 79% dos líderes reconhecem que a tecnologia melhorou significativamente ou moderadamente a conexão entre os membros da igreja. Além disso, 61% acreditam que a tecnologia ajudou a aprofundar a fé da congregação.Os pesquisadores ressaltam que, para fortalecer a conexão dos fiéis com Deus e entre si, os líderes consideram as ferramentas digitais como complementares, não essenciais. Ainda assim, os benefícios operacionais são evidentes: 78% dos líderes afirmam que a tecnologia tornou a vida ministerial pelo menos um pouco mais fácil.
Em resumo, o estudo destaca que, embora a inteligência artificial seja uma aliada crescente para os pastores, é necessário equilíbrio e orientação para evitar que a tecnologia prejudique a autenticidade e a confiança no ministério pastoral. (Com informações de Leonardo Blair – Christianpost)



